Gabriela Carvalho de Alvarenga, de 35 anos, e Maria Eduarda Carvalho Martins, 9, morreram depois de serem baleadas em um bloco de rua de Magé Rede Social

Rio - O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) revogou, nesta segunda-feira (20), a prisão preventiva de Flávio Serafim da Silva Júnior, de 40 anos, também conhecido como Bu, suspeito de iniciar o tiroteio que terminou com a morte de uma mulher e de uma criança durante o Carnaval de Rua de Magé, na Baixada Fluminense, em fevereiro deste ano.
O homem estava preso desde o dia 19 de fevereiro, data do crime. Ele ficou detido sob custódia no Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, depois de ser baleado na barriga, costas e perna esquerda em um confronto com o policial civil Rodolfo Paulo de Brito Santos. Segundo a decisão, o inquérito sobre o caso ainda não foi finalizado, a denúncia não foi enviada e a dinâmica sobre quem são os culpados não foi esclarecida até o momento.
"O investigado se encontra segregado há cerca de um mês e a dinâmica criminosa ainda não está clara, restando pendente a realização de diversas diligências para a formação da "opinio delicti" acusatória, a fim de elucidar integralmente a materialidade e a autoria delitiva. Vale destacar que, compulsando os autos do inquérito policial e os elementos informativos até agora amealhados, verifico que ainda é necessário apurar e individualizar o número de vítimas atingidas, além da extensão das lesões sofridas, bem como as exatas circunstâncias em que os disparos foram efetuados, não sendo possível ignorar que o próprio investigado Flávio também foi atingido por disparo de arma de fogo e necessitou de atendimento médico, o que atribui certeza sobre a existência de outro indivíduo que também estaria armado e teria efetuado disparos naquele momento", diz o documento.
Contudo, o ato de portar arma de fogo durante um evento de grande porte, como é o Carnaval de Rua, fez com que a Justiça criasse medidas cautelares para Flávio enquanto ele ainda é investigado. De acordo com o TJRJ, Bu é obrigado a comparecer bimestralmente em juízo para informar suas atividades; está proibido de sair da comarca por prazo superior a sete dias sem prévia comunicação; tem que manter atualizado seu endereço e contato; tem que cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga; e está proibido de manter contato com vítimas e testemunhas da investigação.
De acordo com a Polícia Militar, Flávio, conhecido como Bu, teria atirado contra o policial civil Rodolfo Santos, o que gerou um confronto. Nas redes sociais imagens mostram a confusão durante o tiroteio, houve correria, pessoas jogadas no chão enquanto outras eram carregadas e até sangue espalhado pelas calçadas. Relatos afirmam ainda que a briga teria sido motivada por ciúmes de uma mulher.
Dentre as vítimas fatais estão Maria Eduarda Carvalho Martins, de 9 anos, e Gabriela Carvalho de Alvarenga, 35 anos. Outras 19 ficaram feridas. Na época, a Prefeitura de Magé determinou a suspensão do apoio à programação do Carnaval na cidade e faz um apelo para que todos os blocos cancelem os seus desfiles.
Outras passagens
Flávio estava evadido do sistema prisional há 15 anos antes de ser preso pelo suposto envolvimento na troca de tiros durante o Carnaval de Rua de Magé. Em dezembro de 2006, ele foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto por receptação. O homem, no entanto, parou de se apresentar diariamente na unidade prisional em outubro do ano seguinte. Desde então, ele passou a ser considerado foragido.
Bu também possui outras passagens por lesão corporal e violência doméstica. Atualmente, ele estaria integrando uma milícia que atua em Magé.