Amigos soltaram fogos de artifício em homenagem ao jovem, que soltava os explosivos em dias de jogo do Flamengo Cleber Mendes / Agência O Dia

Rio – O jovem Jean Jerry David, de 16 anos, foi sepultado nesta tarde de terça-feira (21), no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste.
O adolescente morreu, na noite deste sábado (18), após ser atingido por uma bala perdida na Comunidade Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio. Ele estava no carro do seu padrasto, junto com ele, quando foi atingido.
O sepultamento contou com a presença de familiares, vizinhos, amigos da igreja que Jean frequentava, do Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 339 Mario Tamborindeguy, onde a vítima estudava, e do Nova Era Vôlei, time onde o adolescente jogou vôlei. Dois ônibus com passageiros chegaram de Rocha Miranda para o enterro.
A cerimônia foi marcada por entonação de alguns louvores, o hino do Flamengo e fogos de artifício em homenagem ao jovem que gostava de soltar os explosivos em dias de jogos do time.
Amigos da vítima vestiam uma camisa branca com a palavra "luto" e uma foto de Jean estampada.
Uma vizinha, que não quis se identificar, contou que, no dia do acidente, Jean se confessou na igreja, como fazia todos os sábados.
Jean era considerado um adolescente bastante ativo e, além da escola, fazia curso de idiomas, frequentava uma igreja, era atleta de vôlei e aluno de percussão. Após se destacar no Nova Era Vôlei, time do Grêmio Social Esportivo de Rocha Miranda, o adolescente foi convocado para jogar na seleção carioca que vai disputar o campeonato brasileiro de Seleções Estaduais de Voleibol no próximo mês. Na ocaisão, a Federação de Vôlei do Rio de Janeiro (Vôleirio) lamentou nas redes sociais a morte do jovem: "Com profundo pesar, nosso, sempre será nosso, atleta Jean Jerry veio a óbito na noite deste sábado. O Nova Era Vôlei se solidariza com toda família e amigos nesse trágico e triste momento. Que nosso querido Jean siga um caminho de luz! E que todos possam buscar conforto em suas crenças", diz a publicação.
O padrasto de Jean, identificado apenas como Marcelo, contou, à época, que fazia parte da vida do jovem desde que ele tinha 2 anos. Ele lamentou o que houve: "Ele era querido, bom, todo mundo gostava dele, tem vários coleguinhas passando mal. Era um garoto para frente, tinha sonhos como todo adolescente tem, sonhos bons. Fazia catecismo, crisma. Tudo o que estão falando dele é o que ele é e até mais. Gostava de ajudar os outros, gostava de conversar com adultos, aprender. Era um garoto puro, realmente ele era puro", disse Marcelo.
Segundo o padrasto, Jean estava dentro de seu carro, quando outro veículo passou correndo próximo a eles e disparos foram ouvidos em seguida. Logo depois, o homem percebeu que o enteado havia sido atingido. "Não se sabe o que aconteceu. Veio um carro 'voado', uns barulhos de tiro e quando fui ver, ele estava baleado. Eu não vi polícia, não vi criminosos, eu só ouvi barulho de tiros. Jean estava comigo dentro do carro", contou ele.
De acordo com a Polícia Militar, o 41º BPM (Irajá) foi acionado para prestar apoio a um motorista, no bairro de Irajá, na Zona Norte, que levava o filho ferido no carro, após ele ter sido baleado durante um ataque de criminosos armados na comunidade. Entretanto, a PM não informou se o ataque foi direcionado a policiais ou outros bandidos. A região já foi alvo de uma disputa por controle territorial entre o Terceiro Comando Puro e o Comando Vermelho. Atualmente, a favela é dominada pela segunda facção.
Na ocasião, Jean chegou a ser levado com vida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Rocha Miranda e transferido para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu aos ferimentos.

O caso foi registrado na 40ª DP (Honório Gurgel) e encaminhado para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Segundo a Polícia Civil, diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.