Defensora pública aposentada acusada de chamar entregadores de 'macacos' passa por audiência nesta terça
Cláudia Alvarim Barrozo responde um processo pelo crime de injúria racial contra Eduardo Marques e Jonathan Mendonça; ofensa aconteceu em abril do ano passado em Niterói
Cláudia Alvarim Barrozo, defensora pública aposentada, é acusada de injúria racial contra dois entregadores em Niterói - Reprodução
Cláudia Alvarim Barrozo, defensora pública aposentada, é acusada de injúria racial contra dois entregadores em NiteróiReprodução
Segundo o advogado Joab Gama de Souza, que representa os entregadores Eduardo Peçanha Marques e Jonathan Souza Mendonça, estão previstos os depoimentos dos denunciantes, de testemunhas e da acusada.
A primeira audiência sobre o caso aconteceu no dia 13 de março deste ano. Na época, uma testemunha arrolada pela defesa de Cláudia corroborou com o que foi apontado pelas vítimas na denúncia, de acordo com Joab.
"Ele falou que ouviu uma discussão e quando chegou no local a senhora Cláudia estava gritando com os meninos e em um determinado momento ela chamou de macaco. O depoimento da testemunha de defesa dela hoje afirmou tudo aquilo que está na denúncia, que ela cometeu o crime de injúria racial deliberadamente", contou o advogado, que trabalha junto com o doutor Bruno Marinho na defesa dos entregadores.
A sessão de março era para acontecer em fevereiro, mas foi adiada pela ausência das testemunhas indicadas pelos advogados de Cláudia. Para evitar nova falta, a Justiça pediu que a testemunha fosse conduzida ao tribunal de maneira coercitiva, o que aconteceu na última audiência.
A expectativa era que uma outra testemunha de defesa também prestasse depoimento, mas a pessoa não recebeu a intimação porque o cartório de Itaocara, no Noroeste do estado, onde a testemunha mora, não expediu a carta precatória. Com isso, Cláudia, que é a última a depor, ainda não foi ouvida no tribunal.
Audiência de conciliação sem acordo
Também em março deste ano, uma audiência de conciliação entre Cláudia Barrozo e o entregador Eduardo Marques, realizada no Fórum de Niterói, terminou sem acordo entre as partes. A defensora pública aposentada entrou com uma queixa-crime contra o homem por difamação em outubro do ano passado, meses após as acusações de injúria racial contra ela.
De acordo com o documento assinado pelos advogados de Cláudia, a queixa-crime seria por ofensas proferidas por Eduardo, de cunho sexual e sexistas com as frases "mulherzinha nervosa", "vovó está com pressa", "vaca do inferno" e chamado a filha de Cláudia de "gostosona", dentre outros palavrões. O entregador ainda teria dito as palavras segurando o seu órgão genital.
A defesa de Cláudia propôs um acordo de composição civil entre as duas partes. Os advogados que representam a defensora também disseram que o entregador poderia pagar duas cestas básicas no valor de R$ 600 ou prestar serviços comunitários. Contudo, ambos foram negados pelo entregador.
Relembre o caso
No dia 30 de abril de 2022, a Polícia Civil iniciou uma investigação de um caso de injúria racial em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, depois que a defensora pública aposentada agrediu verbalmente dois entregadores em um condomínio de luxo no bairro Itaipu.
Em um vídeo gravado por um dos trabalhadores, é possível ouvir a mulher os chamando de "macacos". Após ela ofendê-los, ela entra em um carro de luxo e arranca saindo do local. Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado na 81ª DP (Itaipu) como injúria por preconceito.
Claudia foi chamada para ir à 81ª DP (Itaipu) três vezes após o registro da ocorrência, mas, de acordo com o delegado Carlos César Santos, que atuava como titular da delegacia na época, ela não se apresentou em nenhuma das oportunidades, tampouco no período de conclusão das investigações. O inquérito foi fechado e encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) somente com o depoimento das vítimas.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.