Diego Bomfim, Marcos Corsato e Perseu Almeida morreram, e Daniel Proença foi levado ao hospitalReprodução / Redes sociais

Rio - Os criminosos que executaram três médicos em um quiosque na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, na madrugada da última quinta-feira (5) usavam o mesmo carro branco, modelo Fiat Pulse, para a prática de outros crimes na região. Imagens de câmeras de segurança registraram que os suspeitos pararam o veículo em frente ao quiosque antes de abrir fogo contra as vítimas. Nas redes sociais, prints de conversas revelam que o mesmo carro era visto com os bandidos nas proximidades da Cidade de Deus.

Alguns relatos apontam que após o crime o carro teria sido levado para a comunidade de Antares, em Santa Cruz, na Zona Oeste. O veículo ainda não foi localizado pela Polícia Civil.
Prints dos relatos de moradores locais sobre os crimes praticados pelos criminosos no mesmo veículo - Reprodução
Prints dos relatos de moradores locais sobre os crimes praticados pelos criminosos no mesmo veículoReprodução


A principal linha de investigação é de que um dos médicos, Perseu Ribeiro Almeida, tenha sido confundido com o miliciano Taillon de Alcântara Pereira Barbosa, de 26 anos, que mora próximo ao local onde ocorreu o crime.

Na noite desta quinta (5), quatro suspeitos do assassinato foram encontrados mortos em dois carros na região. Três deles estavam em um carro na Rua Abrahão Jabour, nas proximidades do Riocentro, e outro, em um segundo veículo, na Avenida Tenente-Coronel Muniz de Aragão, na Gardênia Azul.

Philip Motta Pereira, o Lesk ou CR7, está entre os mortos. Ele era miliciano e trocou de lado, passando a integrar o Comando Vermelho, sendo abrigado por criminosos do Complexo da Penha. O outro identificado foi Ryan Nunes de Almeida, suspeito de integrar o grupo liderado por Lesk, chamado de "Equipe Sombra".

Já Taillon é apontado como líder da milícia que atua na região de Rio das Pedras, Muzema, Gardênia Azul e adjacências. Ele está em regime semiaberto desde março e tem como residência fixa um apartamento na Avenida Lúcio Costa, a menos de 1 km do quiosque onde as vítimas foram executadas.

O miliciano travou uma disputa territorial com traficantes do Comando Vermelho (CV) no início deste ano, liderados por Philip Motta, o Lesk. Em janeiro, a maior facção do Rio de Janeiro invadiu comunidades na Gardênia Azul, Muzema, Itanhangá e Rio das Pedras. A disputa entre os criminosos rivais também acontece na Cidade de Deus, Tirol, Complexo da Covanca e Praça Seca. Na Zona Norte, o conflito ainda ocorre nos Morros do Fubá e Campinho.

Durante a disputa, uma série de homicídios ocorreu na região, principalmente na Rua Araticum, no Anil. Na região, neste ano, houve 15 homicídios em menos de cinco meses. Moradores da região têm se referido ao local como 'Rua da Morte'. O bairro era palco de confrontos entre traficantes e milicianos por conta de uma disputa pelo controle do território.

A Zona Oeste viveu sob forte influência de milicianos durante anos, mas traficantes têm tentado invadir as comunidades para expandir os pontos de tráfico de drogas no Rio.

Morte dos médicos

Três médicos foram mortos a tiros e um quarto ficou ferido em um quiosque na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, na madrugada desta quinta-feira (5). As vítimas atuam em São Paulo e estavam de passagem pela cidade devido a um congresso internacional de ortopedia. Imagens registradas por câmeras de segurança da região mostram que suspeitos desceram de um carro e atiraram diversas vezes contra os profissionais de saúde. No local, houve correria e desespero durante o ataque.

Os três médicos identificados como Marcos de Andrade Corsato, 62 anos, Perseu Ribeiro Almeida, 33, e Diego Ralf de Souza Bomfim, 35, morreram ainda no local do fato. O outro, Daniel Sonnewend Proença, 32, foi socorrido ainda com vida e encaminhado até o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra.

Ainda pelas imagens, é possível ver que os médicos ortopedistas estavam sentados no quiosque em frente ao Hotel Windsor, quando no início da madrugada, por volta das 1h, um carro branco parou, e ao menos 3 homens vestidos de preto e armados desembarcaram e atiraram contra eles. Um dos criminosos chegou a voltar para atirar mais em uma das vítimas que tentava se refugiar atrás do quiosque.