Integrante de facção que matou médicos na Barra da Tijuca é alvo de novo mandado de prisão
Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, de 32 anos, conhecido com BMW, virou réu em mais um processo de homicídio; ele é considerado foragido desde setembro de 2023
Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW, é procurado por envolvimento na morte de três médicos na Barra da Tijuca - Reprodução
Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW, é procurado por envolvimento na morte de três médicos na Barra da TijucaReprodução
Rio - O traficante Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, conhecido como 'BMW', suspeito de envolvimento no ataque a tiros que matou três médicos na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, em outubro de 2023, virou réu novamente por mais um homicídio. Na segunda-feira da semana passada (19), a Justiça do Rio expediu um novo mandado de prisão preventiva contra o acusado, sendo o terceiro pelo mesmo crime. Ele é considerado foragido desde setembro de 2023.
A decisão é da juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Rio. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), Juan, o comparsa Isaías Apolinário Rodrigues da Silva - que também virou réu no processo e teve um mandado de prisão expedido - e outros criminosos invadiram a casa de Elias Rosa de Lima, em Vargem Grande, na Zona Oeste, e o mataram a tiros. A vítima era vigia de uma churrascaria na Barra da Tijuca e não tinha envolvimento com milícia, segundo familiares.
A investigação sobre o crime identificou que se tratava de uma ação da 'Equipe Sombra', grupo que atua na Gardênia Azul e áreas de Jacarepaguá cometendo invasões e execuções para o Comando Vermelho (CV). 'BMW', um dos principais nomes da facção, é apontado como uma das lideranças da equipe.
Para a juíza, o modo da operação para matar Elias, que teve a residência invadida enquanto dormia com a namorada e foi cercado enquanto fugia, mostra a audácia e a ousadia dos traficantes. Tula entende que as prisões de Juan e Isaías são necessárias para o andamento do processo.
"O modus operandi de que teriam os réus se valido para a prática do delito, desferindo vários disparos de arma de fogo contra a vítima, mediante emboscada, durante seu repouso, denota invulgar audácia e remarcada ousadia, conduta corriqueira entre os integrantes do movimento do tráfico, a recomendar a adoção da medida extrema, como forma de aplacar a deletéria sensação de impunidade que resulta da ausência de pronta resposta do Estado. Esta mesma dinâmica, tal como acima expendida, gera reflexos igualmente na instrução criminal, haja vista o fundado temor que permeia os moradores - possíveis testemunhas - das localidades onde ainda existe o narcotráfico, a dificultar, ou mesmo impedir, o regular andamento da instrução criminal, em face da 'lei do silêncio' que nelas vigora. Desta forma, faz-se necessária a adoção da cautela extrema, como forma de proteger as testemunhas, possibilitando, assim, escorreita apuração dos fatos", escreveu a juíza em sua decisão.
'BMW' já era réu em outros dois processos por homicídios, sendo ambos com mandado de prisão preventiva expedidos pela Justiça no ano passado. Em setembro de 2023, Juan e outros criminosos foram denunciados por homicídios cometidos na região da Gardênia Azul, palco de disputa territorial entre o CV e a milícia, que domina a região.
Em outubro de 2023, o traficante virou réu pela morte do policial militar Anderson Gonçalves de Oliveira, conhecido como 'Andinho', que era apontado como integrante de uma milícia que disputa o controle da Gardênia Azul. Na ocasião, BMW e outros criminosos invadiram o condomínio onde a vítima morava e atiraram contra ela no corredor. O crime foi gravado por câmeras de segurança.
Veja o vídeo:
Câmera flagra momento da morte de PM acusado de chefiar milícia em condomínio da Zona Oeste
A atuação da Equipe Sombra no crime teria acontecido após o ortopedista Perseu Almeida ser confundido com o miliciano Taillon de Alcântara Pereira Barbosa, alvo do grupo, devido a características físicas. Taillon é apontado como uma das lideranças da milícia que atua em Rio das Pedras, região que também sofre por disputas territoriais entre o grupo paramilitar e o CV. O miliciano está preso desde o fim do mesmo mês da chacina que vitimou os médicos.
Perseu levou cinco tiros: dois atingiram de raspão, na mão esquerda e no braço direito; um acertou a mão direita; um no peito, que perfurou o pulmão, e um na barriga, que atingiu o fígado. Diego levou oito tiros, sendo: dois nas costas, um no ombro posterior direito, um no punho direito, um na coxa direita, um no braço direito, um no peito e um no trapézio. Marcos de Andrade levou seis tiros, sendo: dois na cabeça, um na nuca, um nas costas, um no braço esquerdo e um na barriga. O único sobrevivente do ataque, Daniel Daniel Sonnewend Proença, de 32 anos, foi atingido por 14 disparos.
Equipe Sombra
De acordo com investigações, o grupo que participou do ataque aos médicos contou com a presença de BMW e outros quatro suspeitos. Os comparsas de Juan foram encontrados mortos dentro de carros no mesmo dia do crime. Entre eles está Philip Motta Pereira, o Lesk, apontado como um dos principais nomes da disputa territorial entre facções no Estado do Rio.
Lesk era miliciano e trocou de lado, passando a integrar o CV e sendo abrigado por criminosos do Complexo da Penha, na Zona Norte. Segundo as investigações, o traficante foi responsável por chefiar invasões na Gardênia Azul e tinha a ambição de tomar o bairro de Rio das Pedras. Para isso, ele passou a traçar planos para executar o miliciano Taillon Barbosa.
Philip era considerado um dos bandidos mais procurados pela polícia no Rio de Janeiro. O criminoso teve a prisão preventiva decretada em 2019 pelo crime de associação para o tráfico, mas estava foragido desde então.
Outro criminoso encontrado morto foi Ryan Nunes de Almeida. Considerado braço direito de Lesk na guerra entre milícia e CV, ele é suspeito de integrar a Equipe Sombra. O criminoso foi preso em dezembro de 2020 por tráfico de drogas, posse irregular de arma e corrupção de menores. Ele conseguiu fugir um ano depois da prisão.
Também estão entre os mortos pelo 'tribunal do tráfico' os suspeitos Thiago Lopes Claro da Silva e Pablo Roberto da Silva dos Reis.
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