Carnavalesca Rosa Magalhães conquistou sete títulos no Carnaval cariocaArquivo/Armando Paiva/ Agência O Dia

Rio - A morte da carnavalesca Rosa Magalhães, 77 anos, repercutiu entre autoridades e políticos na manhã desta sexta-feira (26). Para o prefeito Eduardo Paes, a artista é uma das mentes mais brilhantes do Carnaval, uma verdadeira Imperatriz do samba. Com o maior número de títulos na Marquês de Sapucaí, a "Professora", como era carinhosamente chamada, está sendo velada em cerimônia aberta ao público no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

"Perdemos uma das mentes mais brilhantes da nossa maior manifestação cultural. A história de Rosa Magalhães se confunde com a do próprio carnaval. De um jeito único, ela encantou a todos nós com sua capacidade de materializar sonhos na avenida, de contar histórias de um jeito único e emocionar quem assistia. Uma verdadeira Imperatriz do samba, que deu a Leopoldinense inúmeras alegrias e títulos. Também deixou sua marca na Vila e na Império Serrano", disse o prefeito.

Nas redes sociais, Paes relembrou ainda feitos marcantes da artista. "Como pensar carnaval sem Rosa? Como esquecer bum bum paticumbum prugurundum? Como não cantarolar “que ti-ti-ti é esse” e não completar com “que vem da Sapucaí”? Tudo com a marca sem igual dessa mulher que dedicou sua vida ao Carnaval e tanto contribuiu para o Rio, incluindo a cerimônia de encerramento das Olimpíadas em 2016. Inesquecível, única e incomparável. Faça festa no céu, Rosa, porque aqui você será sempre lembrada!", acrescentou.
O governador Cláudio Castro também homenageou a artista, reforçando que o Rio sempre será grato por todas as histórias contadas por ela.
"Carnavalesca com o maior número de títulos já conquistados na história do Sambódromo, sete no total, a professora Rosa Magalhães - com mais de 50 anos dedicados à arte e à cultura popular - deixa como legado os inesquecíveis desfiles, que sempre valorizaram a brasilidade e engrandeceram a Sapucaí, emocionando o público e encantando até a crítica. É e sempre será referência para todos os amantes do samba, com seus enredos marcados por suntuosidade, cores e muita alegria. Manifesto meus sentimentos aos familiares, amigos e a todos os companheiros de Carnaval", disse.
Outra figura política, o pré-candidato a prefeito do Rio e Deputado Federal Tarcísio Motta (Psol) comentou sobre a criatividade da professora. "Rosa Magalhães era uma artista completa. Foi consagrada pelo Carnaval, mas teve seus trabalhos assinados em diferentes áreas e reconhecidos no mundo inteiro. Venceu um Emmy, dezenas de títulos e emocionou com sua forma única e criativa de contar histórias", disse.

O parlamentar ainda descreveu Rosa como admirável. "Mulher que se destacou numa posição geralmente reservada a homens, Rosa foi conhecida como Professora. Não se negava a ensinar, nem a aprender. Viu todas as transformações da festa e brilhou em todas elas. Admirável. É uma perda inestimável. Mando um abraço para todos os familiares, fãs, amigos e eternos alunos", comentou.
A pré-candidata e vereadora no Rio e presidenta da Comissão de Combate ao Racismo, Mônica Cunha, também lamentou o caso.

"A Carnavalesca com maior número de títulos na era do sambódromo faleceu aos 77 anos, no Rio de Janeiro. Meus sentimentos à família, amigos e quem conviveu com essa grande artista, professora. Que seu legado não seja esquecido", disse.
Dona de oito títulos no Carnaval carioca, Rosa atuou na Beija-Flor, Império Serrano, Tradição, Estácio de Sá, Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense, União da Ilha, Vila Isabel, Mangueira, São Clemente, Portela e Paraíso do Tuiuti. Além de ter passado, também, pelos desfiles de São Paulo.

Cinco dos seus títulos foram conquistados na Imperatriz Leopoldinense. "Artista consagrada e maior campeã da Era Sambódromo. Neste momento, faltam palavras para definir a grandeza de Rosa e de toda a sua trajetória não só no Carnaval, mas em toda a sua carreira, ao longo dos mais de 50 anos de trabalho dedicado à arte.
Falar de Rosa Magalhães é falar da história da Imperatriz. Rosa promoveu desfiles inesquecíveis aos olhos do público e de toda a crítica, e sempre estará marcada por sua elegância, pela entrega magistral em seus trabalhos, e principalmente por sua brasilidade nas histórias que contou ao longo de todo esse tempo. É e sempre será referência para todos os amantes do espetáculo que ela também ajudou a construir.

As histórias se confundem. É impossível falar de Imperatriz Leopoldinense sem falar de Rosa Magalhães. Hoje o meu coração, e de toda a escola, chora a perda da maior de todos os tempos. O Carnaval deve muito à Rosa Magalhães e nós temos muito orgulho de saber que em nossa biografia ela sempre estará. Obrigado, Rosa. Nossa eterna gratidão e amor", disse a agremiação.
Já no Império Serrano, ela foi campeã com o histórico 'Bum Bum Paticumbum Prugurundum', em 1982, ao lado de Lícia Lacerda, e desenvolveu o enredo 'João das Ruas do Rio', em 2010. "Fica aqui a nossa gratidão por tudo que você, Rosa, fez pelo Carnaval, pela contribuição na nossa história e à arte. Seja luz! Obrigado por tudo!", lamentou a escola.
História
Formada pela Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ, também foi professora da instituição. Assinou figurinos e cenários para dezenas de espetáculos teatrais.
Além das vitóras na Sapucaí e de muitos troféus no Carnaval, seus principais prêmios foram o Emmy de Melhor Figurino, pela abertura Jogos Pan-Americanos de 2007; dois prêmios MinC; prêmios Carlos Gomes; Ordem do Mérito Cultural; e Medalha de Prata, oferecida pelo governo da Áustria.
Escreveu três livros: "Fazendo Carnaval" (Ed. Nova Aguilar) e "O inverso das origens", junto com Maria Luiza Newlands (Ed. Nova Terra), e "E vai rolar a festa..." (Editora Nova Terra). A última publicação é um relato sobre sua experiência de criar e produzir a festa de encerramento das Olimpíadas de 2016 e as cerimônias de abertura e encerramento do Pan-Americano do Rio.
Em 2019, teve sua trajetória transformada em biografia. "Rosa Magalhães — A moça prosa da avenida", de Luiz Ricardo Leitão, foi lançada pela Uerj, mesma instituição que, em 2002, concedeu-lhe o título de doutora "honoris causa". Em 2023, foi tema do documentário "Rosa – A narradora de outros Brasis", de Valmir Moratelli e Libário Nogueira.

Rosa Lúcia Benedetti Magalhães era filha dos escritores Raimundo Magalhães Júnior, imortal da Academia Brasileira de Letras, e de Lucia Benedetti. A artista morava em Copacabana, na Zona Sul, e não gostava muito de frequentar eventos sociais. Preferia ficar em casa, perto dos livros e dos cachorros, suas grandes paixões. Durante os últimos anos, trabalhou ao lado de Mauro Leite e de Alessandra Cadore, seus assistentes. A carnavalesca não tinha filhos.