Passageiros da Supervia vão pagar passagem mais cara em fevereiroReginaldo Pimenta/ Agência O DIA

Rio - A SuperVia, concessionária que administra o serviço de trens no Rio, anunciou nesta quinta-feira (2) o reajuste anual da tarifa. A passagem ficará 50 centavos mais cara e passará de R$ 7,10 para R$ 7,60 a partir de 2 de fevereiro. O aumento tem como base o contrato de concessão firmado com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, que define o IGP-M acumulado de 12 meses como o índice de correção do valor. 
A concessionária ressaltou que os beneficiários da tarifa social, no entanto, continuam com o valor de R$ 5 com o Bilhete Único ativado no cartão Riocard.
O reajuste do valor em R$ 7,60 foi homologado pela Agetransp, a agência reguladora do serviço. O aumento contrasta com a redução que houve no valor, de maneira inédita, pela agência no início do ano passado. Há um ano, a tarifa passava de R$ 7,40 para R$ 7,10.
Passageiros reclamam do aumento
Morador do Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio, Rafael Thomas, 40, é um dos usuários dos ramais Deodoro e Japeri. Ele considera o aumento da tarifa incompatível com as condições enfrentadas pelos passageiros diariamente dentro dos transportes. 
"O valor de R$7,60, para o serviço da SuperVia, eu acho muito caro. Independente das ligações entre os municípios que faça. Você encontra estofado quebrado, alguns sem janela, o horário de superlotação, o intervalo entre os trens, de 20min, muitas vezes é ruim. E muitas vezes, quando a gente sai mais tarde, você não encontra trem. Para quem usa no dia a dia, se a gente calcular o aumento do valor, para uma família, pode impactar bastante. Uma tarifa cara, de um serviço que funciona com horários reduzidos muitas vezes e sem segurança nas proximidades das estações", reclama.
Bruno Santos, de 23 anos, morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, utiliza os trens da SuperVia com frequência e acompanhou de perto o aumento da tarifa ao longo dos anos. Insatisfeito com o serviço prestado, ele reclama da falta de melhorias no sistema.
"E eu pegava o trem na época que a passagem era R$ 5 e quando aumentou para R$7,10 eu já achei um absurdo, porque eu já imaginava que não teria um aumento dos trens. E foi o que aconteceu. Eu passei por diversos perrengues por conta das condições que se encontravam os trens da SuperVia e, muitas vezes, o principal problema era o intervalo entre um carro e outro. É bem absurdo esse aumento, em um espaço curto de tempo, em que a gente não vê melhora, só um declínio", aponta.
A mesma frustração é compartilhada pela estudante Leandra Albino, de 24 anos, que é usuária diária do ramal Japeri, percorrendo o trajeto de Nova Iguaçu até a Central do Brasil. Para a jovem, o valor da passagem vem aumentando e o serviço piora, ela destaca a falta de segurança enfrentada pelas mulheres no vagão feminino.
"Eu pego o Japeri todo dia, faço de Nova Iguaçu até a Central, pela manhã indo e a noite voltando. Sobre o aumento, eu me sinto frustrada e desrespeitada. Pagar mais por um serviço que não melhora e muitas vezes piora, é muito injusto. Essa situação reforça a sensação de descaso com quem usa transporte público. Gostaria que tivessem mais seguranças pelo trem, que o vagão feminino fosse melhor assegurado de que funcione. Nos últimos três anos, vi um aumento de 2,50 nas passagens de trem e zero mudança", desabafa.
Acordo para transição
A Justiça do Rio homologou, em dezembro de 2024, o acordo firmado entre o Governo do Estado e a SuperVia que garante a continuidade do serviço de trens, com um processo de transição para uma nova gestão. A concessionária segue em recuperação judicial e o acordo estabelece um período de transição de 6 a 9 meses para que os serviços de trens urbanos na capital e Região Metropolitana sejam transferidos para responsabilidade de nova operadora.
Também é previsto, durante o período de transição, um aporte de R$ 300 milhões do Governo do Rio para manutenção da operação dos trens e outros investimentos. Em contrapartida, a SuperVia se comprometeu em arcar com R$ 150 milhões, no mesmo período, para pagamento dos credores.
A malha ferroviária urbana do Rio de Janeiro tem 270 quilômetros, cinco ramais, três extensões e 104 estações. Ao todo, os trens do estado transportam cerca de 300 mil pessoas por dia útil.