’A gente tem índices muito melhores do que ano passado, mas é uma situação preocupante’, Armando Paiva
Segundo secretário municipal de saúde do Rio, Daniel Soranz, o Levantamento visitou 100 mil domicílios aleatoriamente em todas as regiões da cidade e os resultados apontaram larva e ovo do Aedes aegypti em 0,74% das amostras coletadas. "É melhor do que o mesmo índice do ano passado, de 0,79%, mas tem três regiões que nos preocupam especialmente: Centro, Campo Grande e Santa Cruz", afirmou o secretário.
De acordo com o Observatório Epidemiológico do município (EpiRio), há 756 casos de dengue confirmados neste ano. Soranz afirma que os principais pontos de proliferação do mosquito continuam sendo os depósitos móveis, principalmente vasos de plantas e lixo, mas também os fixos, como calhas e caixas de passagens fluviais. Ele explicou que, a cada dois registros da doença, um teve foco dentro do próprio domicílio do paciente.
"São depósitos que nem sempre a gente está muito atento, mas são os grandes vilões, novamente. A gente vê de novo a prevalência dos vasos de planta como primeiro tipo de depósito na proliferação do mosquito Aedes aegypti (…) Esse ano a gente tem índices muito melhores do que do ano passado, uma situação muito mais confortável que o ano passado, mas é uma situação preocupante".
O secretário alertou que aos primeiro sintomas, como febre e dores no corpo e atrás dos olhos, a população deve procurar uma Clínica da Família ou Centro Municipal de Saúde, onde serão realizados teste rápido hemograma para confirmar a doença e definir o melhor tratamento. O Ministério da Saúde iniciou a distribuição dos testes rápidos e a previsão é de que até o final de março, todas as unidades básicas municipais tenham o exame.
Vacinação acende alerta
A vacinação também causa preocupação, já que, segundo Soranz, cerca de 100 mil crianças e adolescentes ainda não compareceram para receber a segunda dose. O imunizante deveria ser aplicado três meses após a primeira vacina, nas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Caso os pais não levem os filhos até 31 de janeiro, as doses serão disponibilizadas para a próxima faixa etária contemplada.
"A gente já está esperando há mais de seis meses que os pais tragam seus filhos para se vacinarem com a segunda dose. Esse público alvo já poderia ter se vacinado há mais de um ano. Então, quem não se vacinar até 31 de janeiro, a gente vai abrir essa vacinação para outra faixa etária, que quer muito se vacinar. Vacina parada, vacina em estoque é perder oportunidade de proteger nossa população e a gente não quer que isso aconteça".
Além do público-alvo, moradores da região de Guaratiba, na Zona Oeste, que tem o maior índice de infestação do Rio, também podem ser imunizados. "A gente tem uma pesquisa na região de Guaratiba, então as pessoas de 18 a 59 anos podem tomar a vacina para a dengue. Quem mora em Ilha, Pedra e Barra de Guaratiba, que é uma área com o índice de infestação de mosquito mais alto da cidade, pode se vacinar".
Governo do Estado intensifca ações de combate à dengue
A Sala de Situação é um colegiado formado por vários gestores da SES, para implementar medidas de fortalecimento à capacidade de resposta do estado à doença. Somente em 2025, já foram registrados 2.105 casos prováveis de dengue e 140 internações.
Monitora RJ
Uma das novidades do site é o Nível de Alerta para dengue, com classificação feita em três estágios. Os níveis são representados por cores que indicam a intensidade das ações, sendo verde para a condição habitual, com ações de rotina; amarelo para o nível 1, que marca o início da implementação das ações de contingência; laranja para o nível 2, com intensificação dessas ações; e vermelho para o nível 3, correspondente ao acionamento das ações em sua máxima capacidade.
Os níveis podem ser consultados por região ou por município. Os indicadores são monitorados semanalmente e a progressão para um novo nível de resposta ocorre quando há aumento contínuo dos dados por três semanas consecutivas. É possível também verificar no site da SES, o perfil epidemiológico da dengue, laboratorial e série histórica e documentos técnicos. As medidas reforçam a campanha "10 minutos salvam vidas", que convida a população a eliminar focos do mosquito nas residências.




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