Por conta da proibição, fotos das crianças mortas foram colocadas e retiradasRafael Henrique Brito / ONG Rio de Paz

Rio - A ONG Rio de Paz instalou, neste sábado (1º), imagens de policiais mortos em serviço. O protesto na Curva do Calombo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul, acontece um mês após a Prefeitura do Rio retirar a homenagem feita pela organização para crianças assassinadas por bala perdida. 
"Não é fácil ser policial militar no estado do Rio de Janeiro. Muitos tombam em operações que não têm nenhuma razão de ser, por isso essa justa homenagem. Mas, por um motivo que nós não conseguimos entender e muito menos aceitar, o prefeito exigiu que nós retirássemos a homenagem prestada a essas crianças. Os cartazes referentes aos policiais vão ficar aqui. Agora, as fotos das crianças vamos ter que tirar todas. Por quê? Qual o motivo?", questionou o fundador da ONG Rio de Paz, Antonio Carlos Costa. Ele reiterou a importância do protesto pela vida das crianças. "Essa é uma forma pacífica, democrática e justa de lutarmos pelo direito à vida, e vida dos nossos pequeninos”, argumentou.
Além da volta das fotos na Lagoa, a ONG Rio de Paz também quer a construção de um memorial em homenagem a essas crianças na Zona Sul. "E o mais importante: queremos o fim desse morticínio de crianças, a face mais hedionda do crime", disse Antonio.
'Parece que arrancaram mais uma vez a Ester de mim'

Familiares das crianças estiveram no local e Thamires de Assis, mãe de Ester de Assis, morta aos 9 anos por bala perdida, em 2023, disse: "Parece que arrancaram mais uma vez a Ester de mim". Ela desabafou ao ter que retirar a foto da filha do mural do Rio de Paz. "Só peço que o prefeito trate as crianças da mesma forma que está tratando os policiais. Por que só eles têm o direito e as crianças, não?", perguntou.
Mãe de Thiago Menezes Flausino, Priscilla Menezes demonstrou indignação com a retirada. O menino de 13 anos morreu em 2023 durante uma operação da Polícia Militar na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio. "Mais uma vez me sinto desrespeitada por não ter o direito de ter a foto do meu filho em um lugar público. Ter que tirar a foto do Thiago e das outras crianças foi muito triste",  lamentou a mãe, que ainda questionou:. "Outros nomes de policiais, mortos esse ano, foram incluídos e vão permanecer. Por que as placas dos policiais podem ficar e a dos nossos filhos, não?".

Novas placas de policiais

Mortos na semana passada num intervalo de apenas 24 horas, os PMs Diogo Marinho Rodrigues Jordão, 37 anos, e Marco Paulo Freire Azevedo, 38, tiveram seus nomes colocados na Lagoa, neste sábado, no mural em homenagem aos PMs assassinados. A placa com o nome do PM José Oliveira de Amorim, 35, morto em operação nesta sexta-feira (31), será afixada na Lagoa assim que ficar pronta.