João Pedro Mattos Pinto foi morto com tiro de fuzil em operação há cinco anosReprodução/Redes Sociais

Rio - Uma audiência define, nesta terça-feira (24), se os agentes envolvidos na morte de João Pedro Mattos Pinto vão a júri popular. O adolescente de 14 anos morreu em 2020, ao ser baleado com um tiro de fuzil, durante uma operação das polícias Civil e Federal, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. A família da vítima realiza um ato antes do início da sessão. 
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), a audiência está prevista para acontecer a partir das 13h30, na 6ª Câmara Criminal, por videoconferência. A sessão ocorre pouco mais de um mês depois do julgamento ter sido suspenso, com pedido de vista do desembargador Cezar Augusto Rodrigues Costa, para analisar melhor as sustentações formuladas no processo. Há pouco menos de um ano, os réus foram absolvidos. 
Além do pedido de julgamento, a Defensoria pleiteou, em segunda instância, o aumento da indenização fixada em R$ 200 mil para cada um dos pais do adolescente, concessão de tratamento psicológico, fornecimento de medicamentos, pedido formal de desculpas e a criação de um memorial em homenagem à João Pedro. Desde as 11 desta terça, a mãe, Rafaela Mattos, familiares e amigos se reúnem em um protesto, em frente ao TJRJ, no Centro, para pedir o júri popular. O ato acontece com apoio da ONG Rio de Paz.
"Nós estamos bastante otimistas de que os réus sejam remetidos ao júri popular. Esse direito nos foi negado em julho de 2024, quando a juíza absolveu os policiais, uma absolvição sumária. Nesse dia nos foi negado esse direito, nessa decisão absurda da juíza. Hoje nós já poderíamos estar vivendo o júri popular, porque já tem quase um ano aguardando o julgamento desse recurso. A gente está bastante confiante de que uma parte dessa justiça seja concluída, que os réus sejam remetidos a júri popular e que a justiça seja feita", afirmou Rafaela. 
A mãe de João Pedro declarou também que a família está confiante de que o desembargador que pediu a suspensão para analisar o processo votará pelo júri popular dos policiais civis Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister. Rafaela lembrou ainda que o filho teria completado 20 anos nesta segunda-feira, 23 de junho. 
"No dia 20 de maio, tivemos o início do julgamento do recurso do MP e Defensoria contra essa absolvição e dois desembargadores votaram a favor do júri. Hoje nós vamos ter o voto do terceiro, que tinha pedido vista, e a família está bastante otimista quanto a esse voto. Ontem, dia 23, o João completaria 20 anos de idade e hoje nós vamos para mais essa batalha na Justiça e confiante de que, se Deus quiser, nós teremos essa vitória. Não sabemos mais quanto tempo vamos ter que esperar para que a justiça seja feita". 
Policiais foram absolvidos
Os policiais Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister eram réus por homicídio duplamente qualificado e respondiam em liberdade. Mas, em julho do ano passado, o juízo da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo absolveu sumariamente os agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). A juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine entendeu que eles agiram em legítima defesa e embora a ação tenha provocado a morte de um adolescente inocente, não pode ser entendida como homicídio doloso.
Em maio deste ano, no entanto, o desembargador Marcelo Castro Anátocles da Silva Ferreira, relator do processo, votou por conhecer a apelação, para que os três policiais sejam submetidos a júri popular e determinar a anulação da sentença apresentada na primeira instância. A desembargadora Adriana Ramos de Mello acompanhou integralmente o voto do relator. Mas, o desembargador Cezar Augusto Rodrigues Costa pediu vista para analisar melhor as sustentações e o julgamento acabou suspenso. 
A morte de João Pedro completou cinco anos no dia 18 de maio de 2025. À época, o adolescente estava na casa de um tio, brincando com outros jovens, quando o imóvel foi alvejado por mais de 70 tiros, durante uma operação policial. Segundo testemunhas, agentes entraram atirando na residência e balearam o jovem, que chegou a ser socorrido, mas não resistiu. A família só soube onde estava o corpo da vítima 17 horas depois.