Juliana Marins chegou a ser encontrada por um drone com vida no dia da queda na IndonésiaReprodução / Redes Sociais

Rio - O guia da excursão pela trilha do Monte Rinjani, na Indonésia, onde a brasileira Juliana Marins morreu, teria deixado a publicitária sozinha por, ao menos, 40 minutos para fumar. A informação foi passada pelo pai da vítima, Manoel Marins, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo.
Segundo o pai, o responsável pelo grupo deixou a jovem, de 26 anos, sozinha na trilha, após ela reclamar de cansaço. Ele teria ido fumar um cigarro e retornado somente 40 minutos depois, mas não encontrou Juliana no local.
A publicitária sofreu uma queda na trilha no dia 21 deste mês. No mesmo dia, ela foi encontrada por turistas espanhóis, que passaram a monitorá-la, fazendo fotos e vídeos, inclusive com uso de um drone. As imagens mostraram a vítima sentada em uma área inclinada, aparentemente com dificuldade de se levantar.
Na última segunda-feira (23), a niteroiense foi localizada novamente por um drone, já sem movimentos, indicando falta de sinais vitais, depois de descer ainda mais no penhasco. De acordo com a família, o corpo estava a cerca de 650m de distância do local da primeira queda quando o resgate ocorreu na última quarta-feira (25).
"Os culpados, no meu entendimento, são o guia, que deixou Juliana sozinha para fumar, 40 ou 50 minutos, e tirou os olhos dela. A empresa que vende os passeios, porque são vendidos em banquinha como sendo trilhas fáceis de fazer. Mas o primeiro culpado, que eu considero o culpado maior, é o coordenador do parque. Ele demorou a acionar a Defesa Civil", disse Manoel Marins.
Lalu Muhamad Iqbal, governador da Sonda Ocidental, província na Indonésia onde fica o Monte Rinjani, se pronunciou pela primeira vez sobre o assunto em um vídeo publicado nas redes sociais, no último sábado (28). O político admitiu que há falhas na infraestrutura de segurança da trilha do Monte Rinjani e que as equipes de resgate possuem limitações para atuar no local.
Laudo
A autópsia realizada na Indonésia revelou que a morte aconteceu 20 minutos depois do trauma provocado por uma das quedas. Os ferimentos causaram danos a órgãos internos e hemorragia. Segundo o médico-legista Ida Bagus Putu Alit, o impacto causou sangramento na cavidade torácica, além de fraturas pelo corpo. O especialista ainda acrescentou que não tinha sinais de hipotermia, pois não havia ferimentos provocados pela condição, como lesões nas pontas dos dedos.
Juliana pode ter morrido dias depois da primeira queda. Ainda segundo Alit, em entrevista à rede de TV BBC Indonésia, a morte teria ocorrido na quarta-feira (25), entre 1h e 13h no horário local - equivalente a entre 14h de terça-feira (24) e 2h da madrugada de quarta no horário de Brasília. A estimativa foi feita com base nas condições do corpo, removido do local no mesmo dia.
A família, que criticou a forma como recebeu as informações sobre o laudo, informou, nesta segunda-feira (30), que pediu à Justiça Federal uma nova autópsia a ser realizada no Brasil.
O corpo da publicitária segue na Indonésia. Ainda não há previsão de quando o translado de volta ao Brasil acontecerá.