Proposta de substituição do BRT por VLT e VLP prevê expansão do sistema para São CristóvãoDivulgação / Comunicação VLT Carioca
Murta analisa que o sucesso do projeto dependerá de um planejamento extremamente detalhado. Segundo ele, os custos são bastante elevados e o plano precisa ser sólido e transparente para que a transição não cause transtornos e para que o investimento se traduza em benefícios duradouros para a cidade.
Do ponto de vista técnico, o professor da UFF enxerga ganhos significativos na eficiência e qualidade do transporte. "O VLT é mais moderno, sustentável e confiável, com maior capacidade diária. A operação em vias segregadas reduz as interrupções causadas por congestionamentos e acidentes, melhorando a pontualidade e a regularidade do serviço", explica. Ele acrescenta que o VLP, por ser sobre pneus elétricos, também poderia oferecer ganhos ambientais relevantes.
Outra vantagem apontada pelo professor é a integração intermodal. Ele destaca que o VLT já existente no Centro do Rio poderia ser conectado aos corredores Transcarioca e Transoeste, formando uma rede mais coesa. "Essa integração física e tarifária facilitaria as baldeações, reduziria o tempo total de viagem e aumentaria a atratividade do transporte público", diz.
Murta também enfatiza o impacto ambiental positivo da mudança. "O VLT e o VLP são veículos elétricos, alinhados a políticas de sustentabilidade e redução da poluição sonora e atmosférica. Essa modernização projetaria o Rio como um polo de inovação em mobilidade urbana", diz. Mas volta a fazer um alerta: "A mudança de modal, por si só, não garante sucesso. Sem manutenção contínua e eficaz, o risco de repetir erros do passado é grande, e o investimento bilionário pode ser desperdiçado".
O diretor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Transportes, Marcus Quintella, concorda com os potenciais benefícios, mas reforça a complexidade da obra e o impacto viário durante a execução. "Não é só chegar e colocar trilhos na calha do BRT. É preciso reconstruir praticamente toda a via, instalar energia subterrânea, subestações, sinalização e adaptar estações e semáforos. Durante a obra, será necessário retirar os BRTs das faixas exclusivas, o que vai causar congestionamentos severos, especialmente na Barra da Tijuca e na Avenida das Américas", alerta.
Para Quintella, a proposta pode melhorar a integração com o metrô, reduzir poluição e acidentes, e atrair mais passageiros, mas só se houver garantia de continuidade financeira e gestão de tráfego eficiente durante a construção. "Se a obra parar, o caos estará instalado", diz.
Tanto Murta quanto Quintella concordam que a viabilidade técnica e econômica precisa ser comprovada antes de iniciar o projeto. "É um investimento bilionário que exige planejamento cirúrgico. Sem isso, o risco é transformar uma boa ideia em um novo problema para a cidade", conclui Murta.


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.