Durante confusão no Recreio, mais de 200 torcedores do Peñarol foram detidos pela PMRenan Areias / Arquivo O Dia
Publicado 19/08/2025 11:57
O Tribunal de Justiça do Rio condenou a mais de seis anos de prisão um dos torcedores do Club Atlético Peñarol envolvidos em uma confusão generalizada no Recreio, Zona Oeste do Rio. O caso aconteceu em outubro de 2024, quando o time uruguaio estava na cidade para a semifinal da Libertadores contra o Botafogo, e uma torcida organizada deu início a um tumulto em um quiosque. 
Publicidade
A decisão determinou prisão em regime fechado para Ezequiel Rodrigues pelos crimes de associação criminosa com uso de arma de fogo, corrupção de menores e incêndio. Somadas, as penas chegam aos seis anos e três meses de reclusão e o pagamento de 13 dias-multa. O uruguaio ainda terá que indenizar em R$ 5 mil o dono de uma das motocicletas incendiadas por ele durante a confusão. 
A denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ) descreve que em 23 de outubro do ano passado, Ezequiel e um adolescente, junto de outros membros da torcida organizada, chegaram em ônibus particulares à Avenida Lúcio Costa, no Recreio, e foram para um quiosque no Posto 12, onde consumiram bebidas alcóolicas. Uma discussão com funcionários do estabelecimento teve início depois que o réu e os outros torcedores disseram que não pagariam pelos produtos consumidos. 
Ainda segundo o MP, durante a briga, torcedores do Botafogo passaram pelo local, agravando a situação. Neste momento, Ezequiel, o adolescente e o restante do grupo começaram a arremessar pedras, garrafas, cadeiras, mesas e caixas de cerveja, contra os funcionários e outras pessoas. Eles ainda teriam usado pedaços de madeira e ferro, roubaram dinheiro do caixa do quiosque e fizeram gestos racistas imitando macacos para os trabalhadores. 
Os torcedores também incendiaram três motocicletas e um carro que estavam estacionados na região e entraram em confronto físico com botafoguenses e outras pessoas que passavam pelo local. Em depoimento, o uruguaio admitiu somente o crime de incêndio, alegando que fez para chamar atenção de policiais, porque estaria com medo de sofrer agressão. 
"Visualiza-se cristalinamente o acusado em um espaço aberto com mais três pessoas incendiando as motocicletas, sem assédio de quem quer que seja; nesse ínterim, ninguém tentou agredir o acusado, ele circula e age livremente. Ademais, havia policiais no local observando todo o ato criminoso; o acusado não precisava praticar mais um crime para chamar a atenção policial, já havia atenção suficiente", disse o juiz Paulo Roberto Jangutta, da 41ª Vara Criminal, ressaltando que o estrangeiro "aproveitou-se da agressão de seus comparsas contra os policiais justamente para poder cometer o delito tranquilamente, como efetivamente o praticou". 
A justiça manteve a prisão do torcedor uruguaio, que pode recorrer da decisão. 
Relembre o caso
A confusão generalizada provocada por torcedores do Peñarol foi iniciada após um uruguaio furtar um celular em um comércio próximo à comunidade do Terreirão, também no Recreio. Por volta de 12h, os uruguaios passaram a depredar quiosques e estabelecimentos, dando início a um confronto violento. Eles atacaram banhistas e um pequeno contingente de policiais militares que havia chegado ao local, além de terem incendiado motos na Avenida Lúcio Costa.
Às 13h15, um ônibus de turismo foi incendiado por um grupo de moradores, revoltados com a situação. Apenas às 13h30, mais equipes da PM chegaram e depois de muito esforço conseguiram deter mais de 250 envolvidos na confusão. Ao todo, foram utilizados seis coletivos, tanto da corporação, quanto veículos de turismo. 
Por conta do tumulto, 22 estrangeiros foram presos em flagrante e um adolescente apreendido, bem como outros 330 respondem por crimes contra a paz no esporte. Em novembro, no entanto, a Justiça do Rio mandou soltar 10 torcedores e estabeleceu medidas cautelares, entre elas a proibição de acesso ou frequência a espetáculos esportivos e de deixar o país até o julgamento
 
Leia mais