Produto é vendido como brinquedo ou réplica de armamentos esportivos Reprodução / Redes Sociais

Rio - A Câmara Municipal do Rio aprovou, em primeira discussão, nesta terça-feira (7), um Projeto de Lei que proíbe a fabricação e a comercialização de armas de gel na cidade. Desde a última sexta, uma lei sancionada pelo governador Cláudio Castro veta o objeto no estado.
A proposta, se aprovada, irá alterar a Lei Municipal que já veda a produção e a venda de armas de brinquedo idênticas ou similares a armas de fogo verdadeiras, acrescentando agora um parágrafo específico sobre as "blasters de gel".

O Rio está seguindo a mesma linha de outras cidades que já proibiram a circulação e a comercialização dessas armas no Brasil, como Paulista, Caruaru, Olinda e Limoeiro, todas no estado de Pernambuco.

O projeto agora volta à pauta em segunda discussão e caso seja aprovado, segue para a sanção ou veto do prefeito Eduardo Paes.
O vereador Carlo Caiado (PSD), autor do PL na Câmara, salienta sobre as consequências da fabricação e venda do produto. 
"É preciso impedir que essas cópias, que não são brinquedos, continuem sendo usadas para simular armas de verdade em assaltos. Em junho, a Receita Federal apreendeu mais de 4 mil armas de gel encontradas numa transportadora, em Del Castilho. Essas armas de gel já causaram diversos acidentes, podem até cegar uma pessoa. Então o nosso objetivo é acabar com a ação de criminosos que usam essas cópias de armas e também impedir que as pessoas se machuquem seriamente por causa de uma atividade inconsequente", justificou Caiado, que é presidente da Casa.

Popularizado entre os jovens desde 2024, o produto costuma ser vendido como brinquedo ou réplica de armamentos esportivo no comércio formal e informal. As chamadas "blasters de gel" passaram a representar riscos à integridade física de crianças e adolescentes, além de problemas de segurança pública.

Muitos modelos "imitam" fuzis de uso restrito, como o AK-47, e há registros de ferimentos em "combates" combinados pela internet.

Em dezembro de 2024, um grupo de aproximadamente 50 jovens protagonizou uma verdadeira "guerra" com armas de gel em Vista Alegre, Zona Norte. A ação foi registrada por moradores, que flagraram a correria em vídeos. Nas imagens, é possível ver as pessoas disparando as munições de gel umas contra as outros.

Elas também são usadas em assaltos, simulando armas de verdade.
Operação Brinquedo Legal

Em abril de 2025, a Polícia Civil realizou a Operação Brinquedo Legal com objetivo de coibir a comercialização de armas de gel. Foram apreendidos cerca de 500 produtos deste tipo. Os agentes cumpriram 12 mandados de busca na capital e em Niterói.

O alvo da operação foi uma rede de lojas direcionada ao público infantil. O Inmetro, autarquia que regula produtos e serviços, aponta que as armas de gel não são consideradas brinquedos e são impróprias para consumo.