Corpo na linha férrea interrompeu passagem de trem na altura da estação da PavunaReprodução / Redes Sociais
Em dia de confrontos no Complexo da Pedreira, homem é encontrado morto em linha férrea
Cadáver estava próximo à estação da Pavuna e interrompeu a passagem de uma composição
Rio - Um homem foi encontrado morto na linha férrea, próximo à estação da Pavuna, Zona Norte, na manhã desta segunda-feira (27). O fato ocorreu após uma madrugada de confrontos entre criminosos do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Pedreira, localizado na mesma região. A Polícia Civil investiga o caso.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o cadáver interrompendo a passagem de um trem. Pessoas desceram da composição para retirar o corpo em busca de seguir a viagem. Em uma foto, dois criminosos apontam uma arma para o homem morto. Segundo relatos, ele teria sido assassinado por integrantes do TCP durante a guerra com o CV pelo território da Pedreira.
A SuperVia informou que acionou as autoridades policiais depois do encontro do corpo. Apesar do ocorrido, a empresa destacou que a circulação dos trens do ramal Belford Roxo não foi afetada.
De acordo com a Polícia Militar, agentes do Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) estiveram no local e isolaram a área para perícia.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a morte do homem, ainda não identificado. Diligências estão em andamento para apurar os fatos.
Guerra entre facções
O Complexo da Pedreira, localizado entre os bairros Costa Barros e Pavuna, registrou momentos de tensão, entre a noite de domingo (26) e a madrugada de segunda-feira (27), devido a intensos tiroteios em meio a uma guerra entre o CV e o TCP. Dois moradores morreram, assim como dois suspeitos. A PM prendeu cinco criminosos.
Marli Macedo dos Santos, de 60 anos, morreu após ser baleada na cabeça no momento em que era mantida refém dentro de casa, na Estrada de Botafogo. Segundo a Polícia Militar, Célio Santos da Silva, integrante do CV, invadiu a residência da mulher para fugir de membros do TCP. Houve troca de tiros entre os rivais e ela acabou sendo baleada. A vítima deu entrada no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste, já sem vida. O suspeito foi preso. Os policiais apreenderam dois fuzis no local.
O mototaxista Elison Nascimento Vasconcelos, de 33 anos, morreu depois de ser atingido no tórax quando voltava de um evento de pagode na região. Ele chegou a ser socorrido pelo pai e encaminhado ao Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, em Irajá, na Zona Norte, mas deu entrada já em óbito na unidade.
"Meu filho era morador da região desde os 2 anos de idade. Não tinha envolvimento com drogas nem com o tráfico. Gostava de tomar a cervejinha dele nos fins de semana, apenas. Arrancaram uma parte de mim da forma mais cruel e violenta possível. Eu tive que pegar meu filho com um tiro no tórax e carregar o corpo", disse Edson Vasconcelos Brum, pai da vítima, ao DIA.
Dois suspeitos morreram em confronto com policiais militares. Outros cinco foram presos. A PM apreendeu sete fuzis, uma granada e munições, além de recuperar sei carros. Alguns veículos tinham aberturas para armas, chamadas de "seteiras".
A DHC investiga as mortes dos moradores. Marli será sepultada na tarde desta terça-feira (28) no Cemitério de Irajá. Ainda não há informações sobre o enterro de Elison.

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