Cláudio Castro se reuniu com parlamentares e secretários no CICCReginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio - O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), vai se reunir com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na próxima segunda-feira (3), para debater a megaoperação nos complexos da Penha e Alemão, na Zona Norte. Considerada a mais letal da história do estado, a ação deixou 117 suspeitos e quatro policiais civis e militares mortos. O anúncio aconteceu durante uma reunião com a cúpula da segurança e a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, no Centro.
O encontro acontece para analisar e propor ações de segurança para o Rio. Entre os participantes, estavam os secretários estaduais de Segurança Pública e Polícia Civil, Victor Santos e Felipe Curi, respectivamente, o presidente da Comissão, Paulo Bilynskyj (PL), os deputados federais Índia Armelau (PL), Sosténes Cavalcante (PL), Eduardo Pazuello (PL), e o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), entre outros parlamentares.
Na reunião, o governador afirmou que o Estado vem agindo com seriedade e transparência nas tratativas sobre a operação. Ele ressaltou que as incursões nas comunidades respeitaram todas as normas da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635. A audiência acontece com Moraes, que assumiu temporariamente a relatoria da chamada "ADPF das Favelas", com a aposentadoria do então relator, ministro Luís Roberto Barroso. O processo trata de medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio e foi protocolada em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).
"Estarei recebendo na próxima segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, que é o novo relator da ADPF 635. Não receberei no Palácio (Guanabara, sede do Governo), receberei aqui (no CICC), porque aqui é a casa das polícias, aqui nós queremos que seja feita toda transparência de todo o processo de fiscalização. Não temos medo de órgão de controle algum, estamos trabalhando com a honestidade, com a verdade, com a seriedade", reforçou o governador.
Castro chegou à reunião pouco depois do início, por volta de 12h50, e justificou aos participantes que o atraso ocorreu propositadamente, para que a reunião fosse conduzida com foco nas políticas públicas de segurança e não no que chamou de "politicagem". Aos parlamentares, ele apontou o envolvimento da Comissão como "fundamental" para esclarecer a verdade à população.
"Essa visita não pode ter um caráter político de politicagem, tem que ter um caráter político de política de segurança pública (...) Por isso eu fiz questão de chegar aqui um pouquinho depois, para que os secretários livremente e os senhores livremente pudessem perguntar e eles pudessem responder. Eu não tenho dúvida de que a gente está fazendo o exercício pleno da democracia hoje aqui. Tem gente que concorda, tem gente que discorda e assim é o processo democrático", explicou.
Ainda na reunião, o governador comentou sobre os corpos retirados por moradores e familiares da Serra da Misericórdia onde, segundo a cúpula de segurança, ocorreu a maioria dos confrontos, e disse que não foram removidos pela polícia para não prejudicar o trabalho de perícia. Em coletiva, o secretário de Segurança Pública informou que um inquérito foi instaurado para apurar fraude processual de pessoas que tiraram roupas camufladas de suspeitos localizados mortos.
"O Estado não escondeu corpo algum. Não foi o Estado que colocou ninguém de cueca, tirando os (uniformes) camuflados. O Estado deixou onde estava para que a perícia pudesse ser feita com isenção. Então, nós temos a total liberdade de solicitar que a Câmara Federal venha aqui, faça todo interrogatório necessário", apontou Santos.