Rio - As polícias Civil e Militar realizaram mais uma etapa da "Operação Contenção", nesta sexta-feira (14), para combater a expansão do Comando Vermelho nas localidades da Bacia do Éden, Castelinho e adjacências, no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ao todo, oito suspeitos foram presos. Entre eles, o vereador Marcos Aquino (Republicanos), detido em flagrante por porte ilegal de arma.
fotogaleria
O parlamentar não era alvo da ação, mas chegou de carro ao local das buscas pelo seu irmão Luiz Aquino, um dos investigados por possível envolvimento com o núcleo da facção que atua na região e que ainda não foi localizado.
Com Marcos, além de uma pistola cal. 380 municiada, os agentes encontraram, dentro do veículo, caixas de medicamentos de uso controlado. Dentre eles estão: Fusor, antidepressivo; Zargos, antipsicótico; Frontlev, antiepilético; Algelive, antiinflamatório analgésico; e Totti, dor aguda.
Em depoimento, o vereador afirmou que o armamento seria de um suposto segurança, que ainda não se apresentou à polícia. Apesar disso, segundo o delegado adjunto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE) Paulo Saback, a arma não tem registro no sistema nacional. Após pagar fiança, Aquino foi liberado pelos policiais.
"O vereador alega que a arma pertence a um segurança da família que teria deixado com ele, esse suposto segurança não se apresentou. Então, estamos investigando a origem dessa arma, estamos realizando pesquisa no banco de dados. Mas mesmo que fosse, essa arma não poderia estar com ele. É um crime que cabe fiança, é uma arma de uso permitido e o vereador está sendo ouvido", explicou.
Saback esclareceu ainda como o parlamentar se apresentou aos policiais. "O imóvel pertence ao irmão dele, estávamos fazendo as buscas quando ele se apresentou como vereador interferindo, mas nosso trabalho é imparcial (...) Ele, talvez, querendo saber detalhes do que estava sendo realizado ali, utilizando do requisito de ser vereador, de ser parlamentar, mas o agente político, o agente público no geral, tem que ser o primeiro a dar o exemplo. Nosso objetivo é continuar trabalhando independente de quem quer que seja, e responsabilizar qualquer um que esteja envolvido com o narcotráfico", disse.
Sobre os remédios, Marcos não soube informar a origem e nem o destino. "Ele deu uma resposta vazia, disse que pertencia ao irmão dele, mas não soube dizer a origem. Vamos investigar a origem, o lote, para tentar rastrear de onde veio e o destino", reforçou o delegado.
A DRE aguarda ainda o resultado da perícia dos remédios para determinar se o vereador responderá por outros crimes. "Vamos apurar a origem e o objetivo, isso vai ser objeto de investigação criminal. A investigação não era direcionada a ele, era o irmão, Luiz Aquino, que não foi localizado. Conseguimos apreender grande material de entorpecentes, as investigações vão prosseguir", reafirmou Saback.
Participaram da operação equipes da DRE, Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Ao todo, os agentes pretendiam cumprir 33 mandados de busca e apreensao e 16 de prisão temporária. Dentre os detidos, quatro foram em flagrante, além disso, duas pistolas e drogas acabaram apreendidas.
As investigações, desenvolvidas durante 11 meses, demonstraram que o Comando Vermelho movimentou cerca de R$ 30 milhões na região durante este período.
"As informações das nossas investigações é que ali havia um núcleo da organização, que vinham realizando a expansão do território com barricadas, exploração de diversos serviços essenciais e também o narcotráfico", frisou o delegado.
Dentre os objetivos da ação, está a contenção do avanço territorial da organização criminosa, prisão de integrantes já identificados, arrecadação de novas provas, identificação de patrimônios ilícitos para posterior bloqueio judicial, assim como apreensão de drogas, armamentos e remoção de barricadas.
Marcos Henrique Matos de Aquino, 35 anos, conhecido como Marquinhos Aquino, foi o vereador mais votado de São João de Meriti na última eleição. Casado e pai de uma menina, ele é formado em Direito e serviu ao Exército por oito anos.
Em nota, a defesa Marcos Aquino afirmou que os fatos "carecem de fundamento jurídico e revelam evidente caráter arbitrário. A equipe ainda reforçou que o vereador não era alvo de nenhum mandado e compareceu na residência ao saber por vizinhos que a polícia estava entrando na casa onde ele passou sua infância.
"Durante a revista do veículo, os policiais encontraram uma arma esquecida por um amigo policial militar, que o acompanhou no dia anterior. Diante disso, os agentes, cumprindo protocolo, conduziram o vereador até a delegacia, onde ele foi bem tratado, prestou todos os esclarecimentos e se colocou à disposição da polícia e do Poder Judiciário e em seguida foi liberado. Tentativas de vincular o vereador a condutas criminosas configuram perseguição política", escreveu a defesa do parlamentar nas redes sociais.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.