O Ministério Público também exigiu a Justiça que fixe uma indenização mínima de R$ 200 mil à vítima Reprodução

Rio - A cirurgiã-dentista Cynthia Heckert Brito, foi denunciada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) à Justiça por causa de um procedimento estético mal sucedido que deixou uma paciente em estado grave e com sequelas permanentes. O caso aconteceu em novembro de 2024, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste.

Segundo a acusação, a dentista realizou uma cirurgia conhecida como platismoplastia, um procedimento indicado para a região do pescoço, em um ambiente sem estrutura hospitalar adequada. Além disso, a clínica não possuía autorização legal para realizar esse tipo de procedimento cirúrgico.
Após o procedimento, a paciente apresentou diversas complicações, sendo uma delas dificuldade para respirar e se alimentar. Mesmo diante dos agravamentos do sintomas após a cirurgia, a cirurgiã teria orientado apenas medidas simples para a situação, como o uso de compressas frias. A vítima ainda teria sido submetida a drenagens cobradas à parte. Dias depois, o estado de saúde piorou e a paciente precisou ser levada para o hospital, onde ficou internada por 12 dias em um Centro de Terapia Intensiva (CTI), com risco de morte.

De acordo com os exames médicos, foram apontados um hematoma extenso na região operada, que comprometiam a respiração da vítima, onde pode ser comprovado que o procedimento feito por Cynthia não seguiu a técnica adequada, resultando em lesões graves e permanentes na paciente, que ficou incapacitada de exercer suas atividades habituais por mais de um mês e sofreu deformidades e sequelas funcionais definitivas.
O MPRJ também apontou irregularidades na forma de pagamento do procedimento. O valor foi transferido via pix para a conta de uma terceira pessoa, que não teria vínculo formal com a clínica, e sem emissão de nota fiscal. 

De acordo com informações do Conselho Regional de Odontologia, Cynthia não tinha permissão vigente para executar procedimentos estéticos invasivos vedados a cirurgiões-dentistas. A Promotoria ainda destacou que a clínica não contava com anestesista, equipamentos de suporte à vida ou condições mínimas de segurança exigidas para cirurgias desse porte.

O Ministério Público também solicitou à Justiça que seja fixada uma indenização mínima de R$ 200 mil à vítima, cassação da habilitação profissional da denunciada e que os órgãos fiscais sejam acionados para investigar uma possível sonegação de impostos.