Paulo Roberto Pires da Rocha foi descrito como um vizinho querido por todo o bairroReprodução/Redes Sociais

Moradores do Grajaú, na Zona Norte, vão realizar um ato contra violência, no Largo do Verdun, um dos pontos mais movimentados do bairro, no próximo sábado (20). A manifestação pedirá por mais segurança no bairro, na data em que a morte do comerciante Paulo Roberto Pires da Rocha, de 71 anos, completa uma semana. A vítima foi baleada nas costas em uma tentativa de assalto entre as ruas Sabará e Caçapava, onde morava. 
A 'Caminhada pela Vida' pretende reunir vizinhos do comerciante, conhecido como Paulinho, que era dono de duas lojas no Verdun e muito querido no bairro. Ainda em choque, moradores prometem usar roupas brancas e, o percurso, com concentração às 9h, terá início na Rua Duquesa de Bragança com a Barão de Mesquita, passando pelo Largo da Viúva e ruas Uberaba e Caçapava, terminando na Praça Edmundo Rêgo, onde haverá uma oração e um minuto de silêncio pela vítima, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. 
"A gente quer resposta, para que não passe em branco o que aconteceu com o Paulinho, porque poderá acontecer com outros, também. E quantas vidas mais nós teremos que perder, se não houver uma solução? A gente quer uma solução, segurança não é pedir favor, é prioridade e o bairro vem estando abandonado há muito tempo", afirma o presidente da Associação de Moradores do Grajaú (Amgra), Lupércio Ramos, que apontou que moradores têm deixado de sair de casa, principalmente à noite, por medo da violência. 
"Vai ser uma caminhada pacífica, mas com um sentido de manifestação, em protesto pelo que está acontecendo aqui aos olhos do poder público. A gente está ficando abandonado, cada vez mais trancados em nossas casas, estamos sem o direito de ir e vir, enquanto os bandidos estão circulando pela cidade, pelos bairros e fazendo o que querem (...) A gente quer que tenham investigações eficazes para chegar até os suspeitos e a gente possa andar um pouco mais tranquilo em nosso bairro e tenha um policiamento mais adequado", completou o presidente da Amgra. 
O aposentado Nelson Jucá, 67, ressalta que o ato é uma reivindicação para que os moradores voltem a ter direito de sair e voltar para casa em segurança e possam circular sem medo de serem alvos de criminosos. "É uma reivindicação de toda pessoa de bem, morador, comerciante que clama por paz e segurança e exercer seu direito de ir e vir (...) Paz e segurança é o desejo de todos nós contribuintes que pagamos nossos impostos. Exigimos segurança, é o mínimo que o Estado pode dar para gente. Moro aqui há 30 anos e nunca vivi essa sensação de insegurança, nunca esteve tão difícil". 
Moradora do Grajaú há 19 anos, a aposentada Vania Pinheiros, 67, destacou que a morte de Paulo Roberto "abalou profundamente" a comunidade e simboliza "a sensação de insegurança" que as pessoas que vivem na região têm sofrido. Ela destaca que a manifestação além de pedir justiça pela morte da vítima, reivindica o direito de viver sem medo da população. 
"A população grajauense sente falta de ações mais eficazes por parte do poder público e das forças de segurança. A caminhada tem como objetivo chamar a atenção das autoridades para a urgência de medidas concretas, como o reforço do policiamento e maior presença policial nas ruas do bairro, principalmente à noite (...) É uma mobilização da própria comunidade, que pede respeito à vida e o direito de viver sem medo. A expectativa dos moradores é que a manifestação gere respostas reais e imediatas para que tragédias como a que vitimou Paulinho não se repitam no Grajaú", desabafou a moradora. 
Em uma publicação, o 6º BPM (Tijuca) afirmou fazer o melhor com os recursos disponíveis. "A perda de uma vida em uma área sob nossa responsabilidade é algo que dói, revolta e jamais será tratado com indiferença. É importante deixar claro que fazemos o melhor que está ao nosso alcance, diariamente, com os meios e recursos disponíveis. Nossos policiais estão nas ruas, enfrentando riscos reais, muitas vezes com efetivo reduzido, limitações logísticas e uma demanda que cresce de forma desproporcional à capacidade operacional existente". 
Morte de comerciante provocou comoção
Paulo Roberto era dono de uma loja de doces e de outra de descartáveis e artigos para festas, a qual era sócio com a companheira, no Largo do Verdun. No último sábado (13), a vítima e a mulher estavam em uma confraternização no local, mas decidiram voltar para casa mais cedo, porque participariam de uma celebração com funcionários e de uma ação de Natal no dia seguinte.
No caminho, a companheira notou a presença de duas motocicletas e, assustado, o comerciante acelerou o carro, atingindo um poste. Em seguida, os criminosos atiraram contra ele, que foi baleado nas costas. O comerciante foi socorrido ao Hospital do Andaraí, na Zona Norte, mas não resistiu aos ferimentos. A mulher dele acabou quebrando o braço e precisou levar cerca de 20 pontos nos lábios. 
Há dez anos, a família já havia sido vítima da violência, quando o filho do casal foi morto a tiros, na Rua Gonzaga Bastos, em Vila Isabel, também na Zona Norte. Ele era tenente do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) da Polícia Militar.
A morte de Paulo Roberto é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). O sepultamento do idoso aconteceu na terça-feira (16) e ele deixa a mulher, outra filha e dois netos.