As obras da Igreja Nossa Senhora da Piedade já começaramDivulgação
Magé espera por restauração da Igreja de Nossa Senhora da Piedade e do badalar dos sinos
A previsão é que toda a obra acabe no final de 2026
A comunidade de Magé, na Baixada Fluminense, está ansiosa para ouvir um som conhecido, que não é escutado por lá há mais de dez anos. É o badalar de três sinos de bronze, que estão sendo restaurados, assim como a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Será uma viagem por muita devoção e história para os moradores do município, marcada para meados do ano que vem.
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O padre Leonardo Tassinari Resende, de 49 anos, está na paróquia há oito e está incumbido da missão de restaurar a Matriz, que foi erguida 1751, sucedendo a anterior, construída em 1696. São quase três séculos de história. Padre Leonardo diz que o trabalho é difícil. E fica muito feliz ao ver o resultado se apresentando aos poucos.
O especialista em restauração Alisson José dos Reis, que tem 43 anos e 26 anos trabalhando com igrejas históricas, afirma que é um dos desafios mais gratificantes de sua carreira. "Em alguns pontos foi necessário remover oito camadas de tinta para chegar ao original", conta ele. Durante a execução dos serviços de retirada do reboco (emboço) da fachada da Igreja Nossa Senhora da Piedade constatou-se a necessidade de remoção integral do revestimento existente.
De acordo com a responsável técnica da empresa Marktec, a arquiteta Renata Emilião, as fendas estão sendo devidamente corrigidas por meio da aplicação de Super groute da Quartzolit, material adequado para reforço estrutural, preenchimento e consolidação da alvenaria, respeitando as características construtivas do patrimônio histórico.
"Essa etapa é fundamental para assegurar a correta continuidade do processo de restauração, preservando a integridade estrutural e o valor histórico da fachada da Igreja Nossa Senhora da Piedade", explica a arquiteta.
Detalhes com folha de ouro
Os altares são uma atração à parte. Erguidos no período barroco, marcado pela riqueza de detalhes nos ornamentos, eles têm adornos feitos com folha de ouro. Os adornos são colados à estrutura com um óleo retirado da pele do coelho. Uma técnica muito similar está sendo utilizada agora.
Alisson veio de São João Del Rey, Minas Gerais, para fazer a restauração. É especialista nesse tipo de trabalho, atuando em sua terra natal, onde ficam centenas de igrejas do período. A de Nossa Senhora da Piedade de Magé é a primeira do Caminho do Ouro, que liga o estado do Rio a Minas. Por onde os desbravadores foram passando, igrejas com devoção a Nossa Senhora da Piedade acabaram sendo construídas.
Quando o trabalho estiver terminado, a igreja voltará a receber missas diárias, sempre às 7h. Por agora, as celebrações ocorrem numa outra que foi adaptada a partir de uma quadra de esportes e funciona ao lado, também no Centro de Magé.
Participar do processo de restauração de igrejas está virando uma especialidade do padre Leonardo. Ele esteve na paróquia de São Nicolau, em Suruí, quarto distrito de Magé, cuja construção original foi restaurada quando estava prestes a completar 300 anos.
O chamado foi mais forte
Antes de optar pelo caminho da religião, padre Leonardo cursava faculdade de Engenharia. Acabou, mesmo não 'colocando a mão na massa', envolvido em trabalhos que envolvem sua primeira formação. Mesmo assim, não tem dúvidas sobre qual chamado foi mais forte. "Não sei fazer outra coisa na vida que não seja ser padre", afirma esse sacerdote, natural de Volta Redonda, no Sul do estado do Rio.
O trabalho é comandado pelos arquitetos Renata Emilião e Alison Reis, tem assinatura do restaurador Carlos Magno e produção cultural de Gleice Castro. A restauração é patrocinada por fiéis, pela prefeitura de Magé, Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa por meio da Política Nacional Aldir Blanc, através do edital 'Reviver Memórias', num investimento de quase 3 milhões de reais com previsão de término no final de 2026.




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