Allana foi baleada durante troca de tiros entre traficantes em comunidade de IrajáAcervo pessoal

Rio – “Com o passar dos dias será pior”. Esta é a triste expectativa de Daniele Cristine Flores, mãe de Allana Flores da Silva Miranda Martires, baleada e morta, aos 21, em meio a um tiroteio entre traficantes em Irajá, na Zona Norte, no último sábado (20), sobre a reação do filho da vítima, de apenas 4 anos.
A jovem havia se formado recentemente em técnica em enfermagem - Acervo pessoal
A jovem havia se formado recentemente em técnica em enfermagemAcervo pessoal
 
“Ele perguntou o que aconteceu, e a gente explicou. Ele brinca, depois fala que a mãe foi morar no céu. Pede para dormir... Ainda não está assimilando. E com o passar dos dias será pior”, comentou Daniele, ao DIA, em meio a lágrimas, lamentando que não terá a filha no Natal pela primeira vez.
Segundo Daniele, de 47 anos, Allana havia ido fazer as unhas no salão de beleza da tia do namorado, na Estrada Coronel Vieira, na comunidade Rio d’Ouro, onde a família já havia residido, quando teve início, de forma súbita, um confronto.
“Naquele dia, todo mundo falou que estava calmo, por isso ela foi. Mas de repente começou a troca de tiros”, relatou a mãe da vítima, lembrando ainda o socorro à jovem, encaminhada ao Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, em Irajá: “Ela chegou no hospital em parada cardíaca. Os médicos tentaram fazer alguma coisa, mas não conseguiram. Foi um tiro forte no peito”.
A mãe de Allana recordou ainda que a incidência de episódios de violência cresceu na região recentemente: “O problema de Irajá sempre foi muito assalto. Mas nunca teve guerra de tráfico. Isso começou de uns meses para cá. No local do ocorrido, tem pontos de orações, as pessoas vão orar. Era um lugar muito tranquilo. Mas infelizmente essa violência está chegando em todo lugar”.
Sonho interrompido
Allana, que morava com a mãe, dois irmãos e o filho, havia acabado de concluir um curso de técnica em enfermagem e pretendia entrar para o mercado de trabalho para juntar dinheiro e comprar uma casa própria.
“A Allana era uma jovem cheia de sonhos, estava buscando crescimento para poder cuidar do filho dela. Ia começar a trabalhar agora e tinha o sonho de conquistar uma casa, para ter o cantinho dela, com o filho”, detalhou a mãe da jovem.
O corpo de Allana foi velado e sepultado na segunda-feira (22), no Crematório Memorial do Rio, em Cordovil, também na Zona Norte.