Universidade Santa Úrsula, em Botafogo, na Zona Sul do RioDivulgação
Ela afirma que sempre pôde regularizar a bolsa diretamente na Central de Atendimento, mas neste ano foi informada de que o pedido seria "enviado para análise da mantenedora". Dias depois, recebeu a informação de que um atraso ocorrido há mais de um ano estaria sendo usado como justificativa para a cobrança mais alta, mesmo o débito já tendo sido quitado.
Outra estudante, do 9º período, relata que realizou a renovação dentro do prazo, em 5 de janeiro, mas também foi surpreendida pela exigência de pagamento integral da primeira mensalidade, além da redução da bolsa de 70% para 65%, mudança nunca comunicada oficialmente.
"Foram gerados dois boletos com vencimento para amanhã, sendo um de mais de R$ 2,5 mil e outro com o desconto reduzido. A direção, reitoria e coordenação não esclarecem nada e permanecem em silêncio. Os funcionários dizem que não sabem informar, apenas repetem que foi ordem da mantenedora", se queixa a aluna.
A falta de transparência e de critério também aparecem em outros relatos. Um outro aluno do 8º período diz que a resposta sobre a aplicação da bolsa só veio no mesmo dia em que o pagamento deveria ser feito, com redução de porcentagem e valor integral da mensalidade.
"Quem não pagasse hoje perderia a bolsa de vez. Não houve aviso prévio. Reduziram 5% e ainda exigiram o valor integral de janeiro." Ele afirma que, além do aperto financeiro, há desigualdade entre as decisões: "Alguns não tiveram redução, outros conseguiram desconto, outros não. Não há explicação. Não temos acesso à mantenedora para contestar. Eles estão forçando a saída dos bolsistas para ficar somente com o Prouni."
Histórico de decisões polêmicas
Essa não é a primeira vez que a USU adota medidas criticadas pela comunidade acadêmica para tentar equilibrar suas finanças. A instituição acumula dívidas trabalhistas e, em 2024, determinou que os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) fossem feitos obrigatoriamente em dupla ou trio, mesmo entre cursos que tradicionalmente exigem trabalhos individuais.
Na época, alunos afirmaram que a medida visava reduzir custos com banca e orientadores. Agora, bolsistas afirmam que o cenário se repete. Com receio de retaliação dentro da universidade, nenhum dos alunos quis se identificar.
A reportagem procurou a Universidade Santa Úrsula para esclarecimentos sobre as denúncias, os valores cobrados, os critérios para manutenção de bolsas e a ausência de comunicação prévia. Até o momento, não houve resposta.

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