Um sanduíche gostoso no Dia da Gula dá água na bocaDivulgação

Um dos Sete Pecados Capitais, a gula é um daqueles que muita gente não consegue se livrar nem com terapia semanal ou reza forte. Afinal, quem não gosta de beliscar, degustar uma comidinha diferente ou se atracar com um docinho como se não houvesse amanhã?  Esse pecado, comum a maioria dos mortais, é tão recorrente que tem até dia para chamar de seu: 26 de janeiro.E nesse dia pode se ter até uma espécie de licença simbólica para exagerar, porque vai além da ideia de comer em excesso. A gula é presente até nas histórias em quadrinhos como a personagem Magali, de Mauricio de Sousa. Gulosa como ela só, não pode ver uma melancia por perto.
Como diz a palavra comemorar, a relação com a comida mistura afeto, encontro e celebração. Assim, a data abre espaço para uma reflexão mais profunda sobre limites, prazer e comportamento alimentar, sem deixar de lado os pratos generosos que fazem parte da experiência e que todos apreciam, sejam eles das mais variadas nacionalidades como brasileira, japonesa, chinesa, peruana, entre outras.
Para a nutricionista Laita Balbio, do Espaço Hi, em São Paulo, entender o que é gula passa por diferenciar esse comportamento do comer por prazer. Segundo ela, o prazer envolve consciência e presença, mesmo quando a escolha não é a mais nutritiva. Já a gula aparece quando há perda de controle, alimentação automática e, muitas vezes, desconforto físico ou culpa após a refeição. "Quando o prazer desaparece e dá lugar ao mal-estar, o excesso costuma estar presente", afirma.
A especialista explica que a gula raramente está ligada à fome física. Na maioria das vezes, ela responde a estímulos emocionais como estresse, ansiedade, frustração, cansaço ou até momentos de celebração. A fome física surge gradualmente e aceita diferentes alimentos. Já a fome emocional costuma ser imediata, específica e dificilmente gera saciedade real.

Do ponto de vista cardiovascular, os exageros também merecem atenção. A cardiologista Dra. Rayanne Dantas, especialista em Clínica Médica e Cardiologia, alerta que os impactos podem acontecer tanto no curto quanto no longo prazo. "Em curto prazo, refeições muito calóricas e ricas em gordura, açúcar e sal podem elevar a glicemia e a pressão arterial, aumentar a frequência cardíaca e provocar desconfortos como palpitações, mal-estar e retenção de líquidos. Em pessoas predispostas, esses excessos podem funcionar como gatilho para descompensar doenças já existentes", explica.
Segundo a médica, após uma refeição muito volumosa, o organismo direciona mais fluxo sanguíneo para o trato gastrointestinal, o que aumenta a demanda de trabalho do coração. "O excesso de sódio favorece retenção hídrica e elevação da pressão arterial. Açúcares simples provocam picos transitórios de glicemia e insulina, enquanto gorduras saturadas e trans estão associadas a aumento agudo de inflamação e estresse oxidativo, comprometendo a função dos vasos", afirma.
Mesmo pessoas jovens e aparentemente saudáveis não estão isentas de riscos. "Episódios frequentes de exagero alimentar podem gerar alterações metabólicas silenciosas, como resistência à insulina e aumento do colesterol. A saúde cardiovascular é construída pelos hábitos do dia a dia, não apenas pela ausência de sintomas", destaca a cardiologista.

Para quem já convive com pressão alta, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças cardíacas, o cuidado deve ser redobrado. "A história familiar é um marcador importante de risco cardiovascular, pois reflete fatores genéticos ligados ao metabolismo, à resposta inflamatória e à tendência à aterosclerose. Pessoas com familiares de primeiro grau que tiveram infarto ou AVC precoce precisam ter ainda mais atenção nessas ocasiões", orienta.
Exagero pontual não é tão prejudicial

Em datas comemorativas, como o Dia da Gula, o exagero pontual não costuma trazer prejuízos significativos à saúde. O problema está na frequência. Episódios recorrentes de excesso podem favorecer inflamação crônica, alterações gastrointestinais, resistência à insulina e ganho de peso. O evento isolado faz parte da vida social e cultural. O risco aparece quando vira hábito.
Alguns sinais indicam uma relação desequilibrada com a comida, como comer sem fome física, sentir culpa constante após as refeições, usar o alimento como principal regulador emocional, alternar restrições severas com exageros e pensar excessivamente em comida ou calorias.
Mesmo assim, é possível aproveitar a data sem culpa. A nutricionista reforça que a intencionalidade faz toda a diferença. Escolher o que realmente dá prazer, comer com atenção, respeitar os sinais de saciedade e manter boa hidratação ajudam a reduzir impactos metabólicos. Um dia de prazer consciente não apaga hábitos saudáveis construídos ao longo do tempo.
Após um episódio de exagero, o melhor caminho é retomar a rotina normal na refeição seguinte. 'Não existe detox milagroso', reforça a Dra. Rayanne Dantas. "O que realmente protege o coração é voltar aos hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e fibras, boa hidratação, sono adequado e atividade física moderada".
Anestesia emocional
Para a psicóloga Anastácia Barbosa, a gula raramente fala apenas de comida. Ela costuma revelar um excesso emocional que não encontrou palavras. "Comer em excesso pode funcionar como um regulador emocional imediato, oferecendo conforto e prazer rápido. O problema é que esse alívio é passageiro e, muitas vezes, vem acompanhado de culpa, reforçando o sofrimento psíquico".

A psicóloga clínica Andreia Calçada também fala a respeito. "A gula, muitas vezes, não nasce da fome do corpo, mas de um vazio emocional que pede alívio imediato. A vontade intensa por doces, em especial, está ligada à ansiedade porque o açúcar provoca uma sensação rápida de prazer e conforto, estimulando substâncias no cérebro associadas ao bem-estar. Quando a mente está sobrecarregada por preocupações, medos ou pressões, o doce surge como uma promessa silenciosa de pausa, um refúgio momentâneo contra o turbilhão interno. Comer, nesse contexto, deixa de ser nutrição e passa a ser anestesia emocional".
Ela pontua que muitas pessoas descontam frustrações na comida, não por falta de controle, mas por excesso de sentimentos não expressos. "A comida se transforma em companhia, recompensa ou consolo quando falta acolhimento interno ou externo. Depois, muitas vezes vem a culpa. Entender essa relação é um passo importante para trocar o impulso automático por escuta emocional, aprendendo que ansiedade não se resolve com açúcar, mas com cuidado, presença e compreensão de si mesmo. Trocar o bem estar do açúcar pela atividade física é uma boa opção", ensina.

Onde matar a gula no Rio de Janeiro com pratos gigantes

Para quem decide viver o Dia da Gula sem moderação, o Rio  oferece opções que transformam o exagero em experiência gastronômica.

A Bro Arte & Burguer aposta em combos generosos para a data. O destaque é o Combo Romântico, que reúne pão brioche, hambúrguer de 160 gramas, maionese de alho, barbecue, queijo derretido, bacon e cebola crispy. O pedido acompanha batata canoa ou opções como coxinha sem massa ou nuggets, além de molho e bebida. A hamburgueria funciona em Olaria com loja física e delivery, e atende também por delivery na Tijuca e em Botafogo. https://www.instagram.com/broarteeburguer/

Já o Iummy Japanese Restaurant transforma o Dia da Gula em um convite ao exagero com seu rodízio premium. O cardápio inclui Joe de camarão, sashimi de salmão zuke, gunkan de acelga com cavaquinha, hot croc e outras peças que valorizam variedade e quantidade. O rodízio premium da Iummy Japanese é servido todos os dias das 12h às 22h. O Iummy Japanese Restaurant fica no Taquara Plaza, piso 1, em Jacarepaguá.

Para quem não dispensa frango frito crocante em grandes proporções, o N1 Chicken entra na lista como uma opção para compartilhar sem medo com o Combo GG. Este combo inclui Caixa de Frango G, uma caixa de Frango M, 2 opções de acompanhamento na Caixa M e três molhos à sua escolha. Você pode trocar um de seus acompanhamentos por um Churros Super com um descontão! O N1 Chicken fica na Estrada Adhemar Bebiano, 1673 – Inhaúma.
'Descascar mais e desembalar menos'
O cantor  Renan Rozendo passou a tomar mais conta da sua alimentação, mas, de vez em quando, abre uma exceção. "Comer é uma das coisas que eu realmente não abro mão. Sempre gostei de comer bem (em qualidade e em quantidade também). Quem acompanha minha trajetória sabe que eu já estive um pouco acima do peso, mas já fiz as pazes com a balança e hoje sou mais feliz comigo mesmo. Não é fácil, mas tenho me condicionado a uma rotina de treinos e tenho consumido mais legumes, verduras e proteínas seguindo o jargão 'descascar mais e desembalar menos'. Além de escolher bem o que eu como no dia a dia, faço uso de suplementos e mantenho um certo equilíbrio, porque a carreira exige disposição, voz boa e energia", avalia.
Ele afirma que estar em forma não só por uma questão de estética. "Mas também não vou ser hipócrita porque é sim muito bom a gente se olhar no espelho e ver uma imagem que curte. Mas é também por um estilo de vida, por valorizar a saúde. Aos poucos tudo foi ficando mais leve, a vida e o desempenho no palco.
Mas confesso que em dias de show a história muda um pouco. No camarim, antes de subir no palco, bate aquela ansiedade boa, aquela mistura de frio na barriga com expectativa boa, e aí nessas horas eu como um pouco a mais do que o normal. Assim como a música, a comida traz alegria, conforto e energia. O segredo é saber aproveitar, curtir, mas sem esquecer de cuidar do corpo, porque é ele que me acompanha em cada estrada, em cada palco e em cada história que eu canto".
Compensação desmedida
A empresária Andrea Martins Freire, uma das donas do perfil no instagram @vaiidade60mais, é daquelas que cometem o pecado da gula. "Eu gosto de comer; para mim, é sempre um prazer. Mas, em momentos de maior ansiedade e estresse, a comida se torna uma compensação desmedida, confesso. Diante do nervosismo ou do aborrecimento, sou capaz de comer até aquilo de que não gosto (por exemplo: gelatina e ovo cozido). É um 'fenômeno': só me acalmo ou me conformo quando comi tudinho. Se é uma coquinha, só paro quando já tomei tudo; chocolate, a mesma coisa.
Por isso, tenho inveja, às vezes até raiva, de quem diz que teve um estresse no trabalho e perdeu dois quilos. Eu ganho dois só com uma breve discussão. Acho chiquérrimo quem vira para mim e comenta: "Podemos almoçar, mas não tenho fome". Esse tipo de comentário 'perdi a fome' ou, pior ainda, 'não sinto fome', misericórdia, acaba comigo! Perder a fome é difícil; com ansiedade, é realmente impossível. Recentemente gravei no meu perfil um depoimento sobre o assunto e descobri que não estou sozinha neste sentimento".