Lei aprovada pela Câmara do Rio substitui ano de fabricação do veículo pelo estado de conservaçãoDivulgação/Prefeitura do Rio
Justiça suspende lei que libera circulação de táxis com mais de 10 anos no Rio
Decisão atende recurso do Poder Executivo, que alega inconstitucionalidade, riscos de acidente e ao meio ambiente
Rio - O Tribunal de Justiça (TJRJ) suspendeu os efeitos da lei municipal que permite a circulção de táxis com mais de 10 anos. A iniciativa da Câmara do Rio que extinguiu a limitação da vida útil dos veículos vai ficar adiada até a votação da ação de inconstitucionalidade interposta pelo município. A decisão é da última segunda-feira (26).
Os desembargadores do Órgão Especial do TJRJ acompanharam por unanimidade o voto do relator, desembargador Claudio Mello Tavares. Na fundamentação contra a lei aprovada pelos vereadores, o Município defendeu que a adoção da medida é de competência do Poder Executivo e não dos parlamentares. Além disso, a ação aponta o risco de veículos antigos potencialmente causadores de acidentes de trânsito e e emissores de gases poluentes circularem livremente prestando serviços.
"Em todo caso, tal como foi posta a questão no recurso e diante dos argumentos do Parquet pela urgência da providência e pela plausibilidade do direito em vista de risco ao meio ambiente e à segurança dos passageiros de táxi, mostra-se adequada a suspensão dos efeitos da norma inquinada", alegou o relator. "Não só cabia à Administração regulamentar a lei inquinada, como fazê-lo de modo a zelar de forma efetiva pela proteção do meio ambiente", diz outro trecho da decisão.
Inicialmente, o Poder Executivo havia tentado uma medida cautelar para suspender os efeitos da lei, que acabou sendo negada pela Justiça. O município então interpôs Agravo Interno na Representação de Inconstitucionalidade, apresentando novas fundamentações no requerimento do pedido.
Para o presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos do Município do Rio (STAMRJ), a decisão causa preocupação e ele destaca que o debate não tem considerado a realidade da categoria, que descreveu como "extremamente fragilizada". Hildo Braga também criticou que as mesmas normas e fiscalizações não são exigidas aos veículos de transporte por aplicativo.
"Defendemos que a segurança e a qualidade do serviço sejam garantidas por vistoria rigorosa, fiscalização contínua e critérios técnicos e não por um corte meramente etário que penaliza apenas um lado do sistema. Por isso, o sindicato avalia inclusive intervir no processo como amicus curiae, para que o Judiciário tenha acesso à visão de quem está diretamente impactado e para expor essa desigualdade regulatória que vem enfraquecendo o táxi ao longo dos anos. Seguimos abertos ao diálogo e ao debate responsável, sempre em defesa da categoria e do interesse público".
Em 2024, a Câmara de Vereadores aprovou o projeto de lei que acabava com a limitação da vida útil dos táxis com base no ano de fabricação. A medida estabelece que os automóveis com mais de 10 anos sejam submetidos somente a uma vistoria anual presencial para verificar os itens de segurança, conservação e estado do veículo com base nas normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Com 38 votos favoráveis, a proposta foi de autoria da vereadora Vera Lins (Progressistas) e não teve nenhum voto contrário.

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