A curiosidade é a mãe da sabedoria, afirma o dito popular. Contudo, a fundadora do projeto “Resguarde nas Escolas”, a educadora financeira Maria Gurgel, tem provado que a força desta crença pode ir muito além. Apostando na infância, fase onde a curiosidade é natural e muito desperta, Maria desenvolveu a iniciativa apaixonada por estimular o desenvolvimento da mentalidade poupadora nas crianças, promovendo educação financeira de forma divertida e educativa.
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Em 2025, seu primeiro ano de atuação, o Resguarde nas Escolas, que tem parceria com as secretarias de Educação e de Cultura do Rio de Janeiro, alcançou 377 crianças divididas em três escolas municipais e uma escola de contraturno do Rio de Janeiro. A próxima ação acontece numa escola da Gamboa no dia 26 de fevereiro, quando outros 172 alunos terão acesso a esta nova e necessária ferramenta de conhecimento. Os números expressivos chamam atenção para o período de dois meses em que este alcance se deu. E antes sendo assim, contabilizando crianças bem orientadas, do que somando ao número de devedores no Brasil.
"Vivemos hoje um cenário crítico de endividamento pessoal no país. Ao pensar nisso, me veio uma reflexão muito simples: se cuidarmos das crianças agora, elas crescerão com padrões saudáveis, bons hábitos e comportamentos financeiros conscientes. Essas crianças entrarão diretamente para a estatística dos investidores, sem jamais precisarem fazer parte da estatística dos endividados. Educação financeira na infância é prevenção, autonomia e liberdade no futuro", sentencia Maria.
A ação que chega aos alunos une cultura, leitura e educação financeira com o intuito de fortalecer sonhos e criar oportunidades. Em cada escola que passa, é realizado um grande evento com pais, professores e estudantes, celebrando o poder do conhecimento e promovendo escolhas financeiras mais conscientes desde a infância.
O projeto acredita que os pais são a principal referência das crianças — inclusive com o dinheiro. Ao participar do evento, eles têm acesso a uma palestra prática sobre organização financeira no dia a dia da família. Em paralelo, os educadores recebem um caderno de planos de aula exclusivo, com atividades prontas, alinhadas à BNCC e ao currículo municipal.
Soma-se a isso o conteúdo dos oito livros da coleção 'RE$GUARDE – Criança que Poupa', que é oferecida na íntegra e gratuitamente a cada criança participante; uma contação de histórias e outros materiais pedagógicos alinhados à BNCC, levando conteúdos acessíveis, lúdicos e transformadores para dentro das salas de aula.
"A coleção que respalda o projeto tem livro para trabalharmos com diversas faixas etárias, começando pela turminha de 4 a 8 anos e de 8 a 12. Também temos material para trabalhar com a turma de 13 em diante incluindo os adultos, sejam pais ou professores", conta ela, acrescentando que o projeto utiliza duas perspectivas. "Uma é como aquele adulto se organiza financeiramente como pessoa física e a segunda é como ele pode dar o exemplo para as crianças. Vai de 4 anos até a vida toda".
Potencial transformador
Uma das novidades para as ações de 2026 é a encenação de 'Bola no pé & finanças nas mãos', livro que é parte integrante da coleção distribuída aos alunos. Deste modo, o projeto fortalece a ideia que a educação financeira é também educação para a cidadania, autonomia e cultura. Quando uma criança aprende a planejar, poupar e escolher com consciência, ela cria caminhos para realizar sonhos.
Assim não fica difícil entender o sonho de Maria se tornando, na prática, um projeto bem realizado e que endossa novos sonhos. "Acredito profundamente no potencial transformador dessa iniciativa. Essas crianças já possuem um enorme manancial de ferramentas internas - curiosidade, criatividade, inteligência emocional - e muitas vezes só precisam de um caminho para colocar tudo isso em prática. Com os professores acontece algo semelhante: quando bem orientados e apoiados, eles conincorporados esses novos hábitos, a criança vai levar isso para o resto da vida e eu diria que as probabilidades são muito mais que elas se tornem investidoras do que devedores", finaliza.
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