Operação contra núcleo financeiro da milícia em Rio das Pedras prendeu seis pessoasÉrica Martin / Agência O Dia

Rio - A Polícia Civil e o Ministério Público realizaram, nesta sexta-feira (6), uma operação conjunta com a finalidade de desarticular o núcleo financeiro de uma milícia atuante na região de Rio das Pedras, na Zona Oeste. Com 12 mandados de prisão a cumprir, as equipes capturaram seis acusados.

De acordo com as investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), os alvos desempenhavam um papel central na sustentação econômica do grupo, sendo responsáveis pela arrecadação ilícita, gestão e distribuição de recursos, pelo pagamento das despesas operacionais e lavagem de dinheiro, inclusive por meio do uso de empresas de fachada e de "laranjas".

Os agentes buscaram ainda reduzir a capacidade de financiamento, organização e manutenção das atividades criminosas, além de desarticular o apoio econômico que sustenta a atuação do grupo na região.
De acordo com o delegado assistente da Draco, Márcio Almeida, a investigação sobre o grupo começou há seis anos. Na ação desta sexta, celulares foram apreendidos.
"Essa operação já é uma investigação que decorre desde 2020, desde a investigação da Intocáveis, e hoje [sexta] foi dado cumprimento a esses mandados de prisão de pessoas que operavam o núcleo financeiro de uma ex-liderança da organização paramilitar que atuava ali em Rio das Pedras e na Muzema. Então, hoje, a Polícia Civil foi às ruas para dar esse cumprimento e conseguiu efetuar a prisão de seis desses denunciados. Ainda estamos em diligência para tentar o cumprimento dos demais", explicou.
Denúncia
Os acusados respondem pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), Manoel de Brito Batista, o Cabelo, coordenava as atividades ilícitas do grupo, ao lado do denunciado Emson Alves Pereira, o Montanha.
Na denúncia, o MPRJ descreve que a organização criminosa obtinha receitas principalmente por meio da extorsão de moradores e comerciantes, da exploração imobiliária e da agiotagem.
Ainda segundo o órgão, os milicianos também tinham envolvimento com grilagem, receptação de carga roubada, corrupção e lavagem de capitais, entre outros crimes, tudo com uso da força e violência como forma de intimidação e demonstração de poder.
No decorrer da investigação, foram apreendidas planilhas que evidenciaram altas cifras movimentadas pelo grupo, sobretudo quanto à exploração imobiliária irregular e à agiotagem. A denúncia descreve que eles utilizavam diferentes manobras de lavagem de capitais, valendo-se principalmente de familiares e de negócios em nome de familiares, com objetivo de dar aparência lícita ao que foi obtido ilegalmente.
Além dos mandados de prisão, o Juízo da 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado do Rio de Janeiro deferiu o sequestro de imóveis da milícia.