Foto mostra Ana Lucia Rodrigues Manso, de 53 anos, tentando proteger as netas, Ana Vitória, de 12, e Bela, de 6Arquivo pessoal
"Quando vi que a água ia ultrapassar o joelho, chamei minha neta mais velha, e ela disse que estava com medo. Então pedi para sentarem em cima da geladeira, para não tombar e para mantê-las em um lugar seguro. Quem fez a foto foi minha filha, que publicou a imagem nas redes sociais e, em pouco tempo, viralizou. Naquele momento, minha neta mais nova estava apavorada e pedia para eu salvá-la. Eu só conseguia dizer que estava tudo bem, mas foram minutos de desespero", conta a moradora.
Apesar da tensão, a taxista afirma que esta não foi a primeira vez que a casa acabou sendo invadida pela água. O quintal da residência fica sobre o curso do Rio Pavuna, que costuma transbordar em períodos de chuva intensa, provocando alagamentos na região. No domingo, segundo ela, foi necessário quebrar parte do muro para permitir o escoamento.
"Estou nessa luta há pelo menos 12 anos, desde que vim morar aqui com minhas duas netas e meu marido. Mas esse problema é bem mais antigo, tem pelo menos 40 anos. De uns tempos para cá, a sensação é que piorou. O rio passa no meu quintal e até existe uma manilha para a passagem da água, mas quando não dá vazão, ela não aguenta. Como minha casa fica abaixo do nível da rua, sempre alaga. Só nesses últimos dias, entrou água cinco vezes", lamenta.
Nas enchentes, Ana Lucia diz já ter perdido geladeira, cama, guarda-roupa, máquina de lavar e sofá: "Agora é recomeçar do zero outra vez. A gente acaba se acostumando, mas é triste. É muita luta. A chuva vem e derruba o muro".
Ela afirma ainda que equipes da Defesa Civil da Prefeitura do Rio já estiveram no local e identificaram a área de risco ao redor da residência. Segundo a taxista, técnicos apontaram a necessidade de obras no entorno do rio para conter os alagamentos, mas a intervenção nunca foi executada.
"A prefeitura não limpa, não dá suporte. Eu nunca me recusei a mexer no meu terreno; até perderia o quintal para fazer a obra. O que não quero é perder a minha casa, que já está ficando oca", disse.
Procurada, a Prefeitura do Rio, por meio da Fundação Rio-Águas, informou que, neste trecho, o Rio Pavuna é de responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), "por se encontrar no limite com outros municípios".
O Inea ainda não respondeu ao contato da reportagem.






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