Hilda Maria, fundadora do Candongueiro, morreu neste domingo (1)Reprodução / Redes sociais

Rio - Referência da cultura popular de Niterói, Hilda Maria morreu na manhã deste domingo (1°), em uma unidade de saúde do município, na Região Metropolitana. Fundadora do Candongueiro, a roda de samba mais tradicional da cidade, ela estava internada desde sábado (28) e sofreu uma parada cardíaca em decorrência de uma infecção.
A morte de dona Hilda, como era mais conhecida, foi confirmada pelo filho, Ivan Mendes, por meio das redes sociais. O velório acontece na tarde desta segunda-feira (2), no Crematório e Cemitério Ecológico Memorial Campo da Paz, em Várzea das Moças, em Niterói.
Ao lado do marido, Ilton Mendes, que morreu em 2022, aos 77 anos, Hilda fundou a roda que funciona em Pendotiba há 35 anos. Ela também se destacou pela simpatia ao receber o público e por liderar a cozinha, sendo responsável pelos famosos quitutes servidos no local.
Ao longo da sua história, o Candongueiro foi palco de apresentações de bambas como Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Monarco, Luiz Carlos da Vila, Moacyr Luz, Guilherme de Brito, Walter Alfaiate, Nelson Sargento, Dudu Nobre, Aniceto do Império, Dona Ivone Lara e Velha Guarda da Portela, entre outros. O espaço também é conhecido por dar oportunidades para músicos iniciantes.
Por meio das redes sociais, sambistas prestaram homenagens para a matriarca. O instrumentista e compositor Claudio Jorge comentou a publicação de Ivan. "Meus sentimentos. Sua mãe foi uma pessoa maravilhosa, muito importante em toda a história do Candongueiro. Tristeza imensa", escreveu o músico.
Já o escritor André Diniz ressaltou os ensinamentos que recebeu no espaço cultural. "Ela foi montar um Candongueiro nas alturas com seu companheiro Ilton. O Candongueiro formou uma geração no gosto do samba e tudo que faço hoje não tenho dúvida que aprendi nesse mítico espaço cultural de renome nacional. Viva a memória de dona Hilda e seu Ilton", publicou.
O cantor e compositor Toninho Geraes destacou a importância do Candongueiro e descreveu dona Hilda como uma pessoa forte, generosa e apaixonada pelo samba.
"Dona Hilda Maria  marcou a história da nossa cultura ao lado do marido, criando o Candongueiro, um dos espaços mais importantes para o samba de raiz em Niterói. O Candongueiro não é só um lugar, é resistência, encontro, memória e celebração da nossa música. E Dona Hilda foi parte essencial dessa construção. Hoje, meu coração está de luto, mas também cheio de gratidão por tudo o que ela representou para o samba e para todos nós", homenageou.