Rio – Moradores da Tavares Bastos, no Catete, Zona Sul, vivem uma apreensão diária por conta de infiltrações em suas casas e temem deslizamentos. O DIA esteve na comunidade nesta segunda-feira (2) e registrou o problema, que começa em uma mina, com a água atingindo residências e deslocando pedras. A Defesa Civil nega riscos, mas reconhece que a persistência pode trazer consequências.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, é possível ver uma corrente de água circulando em uma estrutura rochosa e várias pedras soltas e úmidas no chão, na altura do Beco 10. Tubulações estão no caminho e também em risco de serem atingidas.
O produtor cultural Kleber Reis, 35, denunciou que o problema ocorre há três anos: "Tem um vazamento na gruta que fica perto das casas, a água vem muito forte e está mexendo com a estrutura das pedras, é bem perigoso. A força da água está empurrando as pedras que ficam no local, e infiltrando a casa dos moradores. Eles estão com medo do pior acontecer".
Os moradores chegaram a apontar que o problema seria da Águas do Rio. Entretanto, um representante da empresa esteve no local e negou a responsabilidade. A Defesa Civil também fez uma análise técnica, e pediu que a concessionária verificasse possíveis danos à rede.
A cuidadora de idosos de 50 anos Joelma Alcântara, que mora com a mãe, Maria José, 71, comentou que precisa arcar com todos os transtornos: "Desde sempre estamos lutando contra isso, é sempre um empurrando o problema para outro. Em 2023, nós tivemos outro vazamento aqui em casa e na de outra vizinha, o tempo todo precisávamos tirar água com baldes, tanto que as paredes da minha casa ainda estão descascadas. Tiramos do nosso próprio 'bolso' o dinheiro para colocar azulejos na sala. Ninguém toma nenhuma providência".
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"Há algum tempo que ando vigiando aquela estrutura, e quando vi que muitas pedras já saíram do lugar, eu me preocupei muito. Se não fizermos por nós, nada será feito. Entre outros problemas, poste caindo, fios inativos e soltos. Nossa comunidade é tranquila, pacífica, é bonita, usada em novelas, então queremos uma solução, porque essa poluição visual incomoda muito", concluiu Joelma.
O garçom Antônio da Silva, de 56 anos, relatou que as autoridades já foram chamadas outras vezes: "Eu moro aqui na Tavares Bastos há mais de 35 anos, sempre tive problemas de vazamento e umidade na minha casa. Não só na minha, mas na de outros vizinhos. Quando chove é pior, porque o esgoto entope, mas um funcionário da Águas do Rio veio uma vez e resolveu o problema".
O que dizem os órgãos
Tanto a Águas do Rio quanto a Defesa Civil foram procuradas pela reportagem e, no mesmo dia, enviaram equipes ao local para fazerem uma vistoria.
Em nota, a Águas do Rio informou que, após a visita, foi constatado que se trata de uma mina d'água. Segundo a empresa, qualquer obra na área foge da responsabilidade da concessionária, já que as redes de tubulação estão em perfeito funcionamento.
A Águas do Rio pretende instalar hidrômetros na comunidade e esclareceu que isso é "essencial para garantir um abastecimento seguro, permitindo um melhor controle da qualidade da água e contribuindo para a redução de perdas no sistema". Moradores são contra essa medida.
"A concessionária esclarece que possui obrigação contratual de instalar hidrômetros em 100% das residências de sua área de concessão", concluiu o parecer.
Já a Defesa Civil disse não foram identificados sinais evidentes de risco iminente na estrutura. No entanto, "a persistência do processo de infiltração e o deslocamento de material junto às fundações rochosas podem comprometer a estabilidade local ao longo do tempo". Os dados constam de uma vistoria no último dia 26 de fevereiro.
O órgão também esclareceu que a infiltração nas casas próximas à mina se deu porque o fluxo contínuo de água entre as rochas, que estão desprendidas umas das outras, pode ter causado uma ruptura nas tubulações embutidas e provocado um vazamento, o que foi negado pela Águas do Rio.
"A vistoria técnica realizada no local nesta segunda-feira (2) constatou que as redes de água e esgoto, sob responsabilidade da concessionária, encontram-se em perfeitas condições de funcionamento, não apresentando irregularidades", disse a nota da empresa, reiterando a normalidade do sistema.
A Defesa Civil disse que equipes da Geo-Rio e da Coordenadoria Geral de Engenharia e Conservação (CGC) precisam analisar a estabilidade do solo e o sistema de drenagem da região. A Geo-Rio e a Secretaria Municipal de Conservação, da qual a CGC faz parte, foram procuradas pelo jornal, mas ainda não se pronunciaram. O espaço segue aberto.
*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Adriano Araújo
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