Criminosos roubaram a ave que compunha o monumento em fevereiroÉrica Martin / Agência O Dia

Rio - A estátua do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997), localizada na Praia de Botafogo, na Zona Sul, foi novamente vandalizada na manhã desta segunda-feira (23). Ela teve as mãos furtadas, um mês após levarem o beija-flor que compunha o monumento.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Conservação, a pasta registrou um boletim de ocorrência e irá orçar os custos para o reparo da estátua.
De acordo com o secretário de Conservação, Diego Vaz, este é o sexto caso de furto ou vandalismo a monumentos na cidade registrado neste ano. 
"A pena para dano ao patrimônio público é muito branda. O infrator sai antes da delegacia do que os agentes públicos. Precisamos de leis federais mais severas. Não foi o primeiro nem será o último caso. Temos diversos casos inclusive identificando os infratores que não são devidamente punidos e continuam agindo à margem da lei. É uma pena, porque o Rio de Janeiro é uma cidade histórica, e uma cidade sem memória é uma cidade morta", afirmou.
A ONG Ação da Cidadania, fundada pelo sociólogo, se posicionou sobre o episódio, manifestando repúdio: "Betinho foi uma das vozes mais importantes do país e do mundo na defesa da cidadania, articulando sociedade civil e poder público e mostrando que combater a fome é uma responsabilidade coletiva. O ataque não é um fato isolado, mas uma agressão à memória e aos valores que ele representa. Cobramos investigação imediata, responsabilização dos envolvidos e medidas efetivas de segurança para proteger os espaços públicos."
A organização também afirmou que irá custear a restauração, além de já estar em contato com o artista responsável para viabilizar o reparo.
A escultura foi instalada em Botafogo porque Betinho morou no bairro. No local, ele também  fundou o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Atualmente, a entidade funciona no mesmo endereço da Ação da Cidadania, na Gamboa.
Outros casos
Casos semelhantes de furto ocorreram nos últimos tempos. A estátua do escritor e jornalista Otto Lara Resende, no Jardim Botânico, teve o assento da cadeira e os livros que faziam parte da escultura foram furtados, conforme mostrou reportagem de O DIA. A obra do comunicador José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, que fica a cerca de 200 metros do local, também teve partes levadas.
Outro monumento que aguarda reparos é o do compositor Noel Rosa, no Boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel, na Zona Norte. 
*Reportagem do estagiário Rodrigo Bresani, sob supervisão de Adriano Araújo