Leniel Borel lamenta adiamento do júri popular de Jairinho e Monique: ’Assassinaram o Henry pela segunda vez’Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Leniel foi enfático ao dizer que continuará na busca por justiça: “Se tem alguém, que vai lutar pelo Henry até o fim, a não ser que me matem, sou eu, que estou ali desde o primeiro dia no hospital, que só saí do IML com o laudo, que dou meu depoimento, busco que chegasse a esse momento. E agora vocês estão vendo uma defesa que abandonou o júri. É um terrorismo contra o meu filho e contra a minha família. O que foi feito aqui hoje é um assassinato, um terrorismo contra uma família que luta”.
O vereador definiu, ainda, a estratégia da defesa como uma 'palhaçada'. “É um desrespeito à memória do Henry e um desrespeito à minha família. Aqui tem um pai, aqui tem um coração de carne. O Henry não está aqui mais para contar a história dele, mas eu estou aqui para continuar esse legado. E fazem novamente uma palhaçada, uma estratégia protelatória. O que foi feito feito aqui é verdadeiramente um assassinato com a Justiça”, disse.
Além do adiamento do júri, a juíza Elizabeth Machado Louro, que comandaria a sessão desta segunda-feira no II Tribunal do Júri da Capital, aceitou a solicitação da defesa de Monique Medeiros, mãe de Henry, que pediu pela liberdade da cliente, alegando excesso de prazo e que ela contribuiu para a realização do julgamento.
Para Leniel, a liberdade de Monique foi “um castigo” pela ação da defesa de Jairinho. No entanto, o vereador criticou a decisão da juíza e afirmou que ela vai de encontro ao determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão da mãe do menino, depois que ela chegou a sair da cadeia após uma decisão da Justiça em 2022.
“A soltura da Monique hoje foi uma decisão de castigo por abandono do plenário ao Jairo. Mas que castigo é esse? Existe castigo maior a um pai do que perdeu um filho? E o castigo para mim, que meu filho não volta mais? E o castigo eterno do meu filho, que pode estar aqui sendo voz? O que a gente viu hoje, além de ser uma decisão contrária ao STF, que falava que o lugar da Monique é presa até ter a condenação ou não, o que a gente viu aqui foi uma espécie de castigo da magistrada. Eu respeito a decisão dela, mas não podemos permitir que um castigo para defesa de Jairo, solte uma possível assassina, homicida de uma criança”, frisou.
Segundo Leniel, Henry, que foi morto aos 4 anos, era um menino feliz, que sorria constantemente. O vereador, que revelou não ter conseguido olhar as fotos do laudo do Instituto Médico Legal (IML), disse que quer se lembrar apenas dos momentos bons que viveu ao lado do filho.
“Eu só tenho imagens boas do meu filho, imagens felizes. O Henry sempre estava sorrindo, feliz. Olha as imagens do último dia. Meu filho estava na cama, dançando, cantando ‘Mãezinha Do Céu’. São essas as imagens que quero levar do meu filho para o resto da vida. Eu nunca tive coragem de ver os exames do IML. Eu não consigo ver o meu filho ali. O meu filho não estava mais ali. O meu filho não é aquela criança cheia de marcas, de hematomas, 23 lesões. O Henry sofreu uma morte agonizante. Ele sofreu demais na presença da mãe do padrasto”, se emocionou.
Para o pai do menino, não tem como Monique não ter ficado sabendo das agressões. “Não tem como aquela mãe não ter ouvido. Nem se ela estivesse super dopada, o que não estava. Olha a imagem dela saindo do elevador. Ali há uma grande encenação.
“Vinte e três lesões, um politraumatismo, laceração hepática, hemorragia interna causada por ação contundente: Essa é a causa da morte. E as hemorragias na cabeça em direções diferentes. E as lesões no braço, como se tivesse sido de unhas. E as lesões no abdômen. E a lesão nas costas, como tivesse sido pisoteado. O Henry foi brutalmente assassinado olhando pra mãe. Uma pancada no estômago dói, imagina uma criança por horas sangrando por dentro. Aquela criança sangrou pedindo ajuda pra mãe. E a mãe sai pela porta da frente agora. O que que eu posso mais falar? Cinco anos para provar o óbvio. Três pessoas entraram vivas naquele apartamento. Saem dois adultos e uma criança morta. O que aconteceu? Esse é o júri. O júri é isso. Se Jairo e Monique não falarem, condenação máxima para os dois”, afirmou.
“Aqueles dois são dois perversos, dois monstros. Não pode uma mãe que tem a possibilidade de ter matado o filho dela sair pela porta da frente. A Monique é, no mínimo, omissa, quiçá se ela não participou no dia”, disse Leniel.









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