A UFRJ inaugurou quatro bancos vermelhos em seus campiDivulgação / UFRJ
UFRJ instala bancos vermelhos em campi como símbolo de combate ao feminicídio
Iniciativa integra mobilização nacional e busca ampliar a conscientização sobre a violência de gênero
Rio - A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, ao longo do mês da mulher, quatro bancos vermelhos em seus campi da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, e da Praia Vermelha, como símbolo de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher. A ação integra uma mobilização nacional coordenada pelo Instituto Banco Vermelho, em parceria com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior.
Instalados em áreas de grande circulação, os bancos trazem mensagens de conscientização, como "Você não está sozinha. Sentar e refletir. Levantar e agir". A proposta é chamar a atenção da sociedade para a gravidade da violência de gênero e manter viva a memória das vítimas. A iniciativa está alinhada à Lei Federal, que instituiu o Banco Vermelho como política pública de prevenção à violência contra a mulher.
Segundo o Instituto Banco Vermelho, o Brasil está entre os países com maiores índices de feminicídio no mundo, com um caso registrado, em média, a cada seis horas.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, participou das cerimônias de inauguração e destacou o caráter simbólico da ação. "É um prazer e uma honra estar neste momento lutando contra o machismo estrutural, contra a misoginia e em favor da vida das mulheres", afirmou. Ele também ressaltou a necessidade de enfrentar as raízes históricas da violência de gênero no país.
A vice-reitora Cássia Turci afirmou que a adesão à campanha reforça o compromisso da universidade com o enfrentamento da violência. "Ao instalar esse símbolo em nossos campi, provocamos uma reflexão cotidiana e necessária sobre o feminicídio e a construção de uma cultura de paz", disse.
As inaugurações foram acompanhadas por um cortejo majoritariamente formado por mulheres vestidas de vermelho. A ação reuniu apresentações de música, dança e poesia, com participação de professoras da Escola de Educação Física e Dança, além da ouvidora da Mulher da UFRJ, Angela Brêtas.
Para Brêtas, a iniciativa tem caráter educativo e busca ampliar o debate sobre o tema. "A intenção é chamar a atenção, de forma mais impactante, sobre o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher. Não podemos naturalizar pequenos gestos violentos", afirmou.
Durante as atividades, também foi distribuída a cartilha "Feminicídio: uma violência evitável", com orientações sobre prevenção e denúncia.
Na Cidade Universitária, os bancos foram instalados na arena do Centro de Convivência do Centro de Ciências da Saúde (CCS), no hall do Bloco A do Centro de Tecnologia (CT) e do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), além do corredor principal da Faculdade de Letras, no Centro de Letras e Artes (CLA).
No campus da Praia Vermelha, o banco foi colocado entre a Escola de Serviço Social e o Instituto de Psicologia.
A mobilização segue com novas instalações previstas para outros campi da universidade, incluindo unidades em Macaé, Duque de Caxias e no polo Casa da Pedra, no Ceará.
Na UFRJ, mulheres em situação de violência ou assédio podem buscar apoio na Ouvidoria da Mulher. Também é possível registrar denúncias por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, serviço do Governo Federal.

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