Equipe do DIA encontrou caramujos africanos próximo ao muro das casasReginaldo Pimenta/Agência O DIA
Em uma casa de umbanda do local, participantes chegaram a retirar mais de 100 deles do quintal em um único dia.
Ao DIA, a matriarca Regiane Sobral, 49 anos, conta que os próprios vizinhos estão fazendo a retirada, mas que temem a proliferação de doenças. Segundo ela, a aparição começou há cerca de 1 ano e meio e aumentou significativamente nos últimos meses.
"Eram pouquíssimos, um aqui, outro ali. A gente retirava com luva e jogava fora. Mas, de uns três meses pra cá, começou a aumentar muito. A gente se reúne no terreiro de 15 em 15 dias e, nesse intervalo, encontrava de 10 a 15, o que já era muito. Fazíamos toda a higiene e, apesar do susto, conseguíamos lidar. Só que, da última vez, já encontramos caramujos na rua e na calçada, muitos subindo para a vila. Quando entramos no terreiro, havia mais de 100 espalhados: na área externa, no quintal e nos fundos. Eram muitos. A gente entrou em desespero", relata.
Regiane explica que lidera uma comunidade diaspórica com cerca de 32 pessoas, incluindo 9 crianças, que convivem com descalço.
"O que me preocupa é a gosma, porque como a casa fica muito tempo fechada, a gente não entende se esse caramujo andando, ele solta a gosma. Como esse material a gente ainda não sabe, não conhece, então eu não sei se é contagiosa. A minha preocupação é a criança andando de pé no chão, ela não vai tocar no caramujo, mas vai andar onde essa gosma passou. Na última vez que estivemos na casa, a gente entrou em desespero e propôs a todos da casa, a grande maioria, abrirem um protocolo lá no 1746. Nós abrimos 18 protocolos no mesmo dia, mas no outro dias, todos foram efetivamente fechados", acrescenta.
A matriarca narra que um carro da Comlurb chegou a comparecer na entrada da vila, mas que nada resolveu. Por conta disso, ela decidiu contratar por conta própria uma empresa de dedetização.
"Eles fecharam os pedidos e falaram que a gente tinha que catar os caramujos, só que eu acho que isso é uma contaminação e a gente não pode ficar manipulando os caramujos, por causa dos riscos de doenças. Temos um canteiro da frente, então eles invadem esse canteiro", diz.
Também participante da casa de Umbanda, Janaína Santos, 40 anos, frisa que os caramujos estão invadindo as casas da vizinhança.
"Já tem relatos deles nas cozinhas das pessoas. No último sábado que fui à casa, vimos um no vaso de uma planta e comecei a retirar sem muita informação, só usando sal, que ajuda a queimar. Coloquei um saco plástico na mão e fui tirando, mas não acabava. No domingo de manhã, fizemos uma limpa no quintal e foram mais de 120 — teve uma hora que perdi as contas. Também encontramos ovinhos. A gente ficou com muito medo pelas crianças e manteve elas lá em cima", afirma.
Janaína relata que pelo menos duas crianças apresentaram problemas de saúde após visitar o terreiro e que teme ter relação com a infestação.
"Nessa semana tivemos duas crianças do centro que tiveram convulsões pela primeira vez, nunca tinha tido antes, e todas são moradoras da Pavuna. Estamos muito preocupados! Fizemos um movimento em massa para ligar para o 1746, eles foram lá, disseram que não tem muito o que fazer e que iriam retirar, mas vão fazer o que? Vão incinerar? Como vão matar sem prejudicar as outras pessoas? Lá na vila tem muitas casas, pessoas, crianças e estão colocando a vida de todo mundo em risco", reforça.
Vizinha e moradora da vila, Elenice Vitor de Santana, 61 anos, explica que mora no segundo andar e que já chegou a encontrar um dos caramujos na escada de casa.
O que diz a Comlurb?
Em nota, a Comlurb informa que uma equipe de Controle de Vetores do Centro de Pesquisas da Comlurb recebeu apenas duas solicitações pela Central de Atendimento 1746 da Prefeitura, para a Rua Sargento Antônio Ernesto, na Pavuna, e fez um atendimento no dia 24 de março.
O Achatina fulica é muito conhecido em todo o país como caramujo gigante africano. Ele é uma espécie pertencente ao grupo dos moluscos pulmonados terrestres.
• Pode usar pás para jardinagem;
• Sempre usar luvas descartáveis ou sacos plásticos íntegros (sem furos) para proteger as mãos;
• Colocá-los num recipiente. Deixá-los submersos por 24 horas em solução contendo uma parte de água sanitária e três de água;
• Após esse tempo, com a ajuda de um martelo ou outro instrumento, quebrar as conchas;
• Colocar as conchas quebradas dentro de dois sacos juntos. A quantidade de conchas deve ir até a metade do saco. Depois, fechar o saco, preferencialmente dando alguns nós;
• Depositar os sacos numa lixeira









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