A nutricionista Alessandra Torres diz que não se pode exagerar na dataDivulgação

Com a chegada da Semana Santa, cresce nas feiras e mercados a procura por itens tradicionais, como o bacalhau. Mas o que muita gente não percebe é que esse período também exige atenção redobrada com a saúde, principalmente para quem tem hipertensão. No Brasil, o problema atinge cerca de 30% da população adulta, sendo uma das doenças crônicas mais comuns no país. E o cardápio da Páscoa costuma esconder riscos para essa população.

"A Semana Santa é um momento importante culturalmente, mas também precisa ser vivida com equilíbrio. Muitos alimentos consumidos nesse período têm alto teor de sódio, o que pode impactar diretamente a pressão arterial, especialmente em pessoas que já têm diagnóstico de hipertensão", alerta Helen Keller, superintendente de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ).

Para o coordenador de Vigilância e Fiscalização de Alimentos da SES-RJ, o problema não está em um único item, mas no conjunto da refeição. "O bacalhau é um alimento muito presente, mas não está sozinho. Azeitonas, conservas e até produtos industrializados, geralmente ultraprocessados, que entram no preparo ou nos acompanhamentos contribuem para elevar o consumo de sódio. É preciso olhar a refeição como um todo", afirma Werner Ewald.

Apesar disso, não é necessário abrir mão da tradição. O bacalhau pode ser incluído no cardápio de forma equilibrada, desde que haja atenção ao preparo e às quantidades. "Ele não precisa ser vilão nem mocinho. Ele tem benefícios, como o ômega-3, importante para a saúde cardiovascular, mas também carrega muito sódio, por causa do sal. O risco está justamente no consumo exagerado, principalmente sem a dessalga adequada", explica Alessandra Torres nutricionista e diretora da Divisão de Alimentos da Vigilância Sanitária da SES-RJ.

Para a retirada do sal, a primeira dica é deixar o bacalhau de molho entre 24 e 48 horas antes do preparo. A água deve ser trocada quatro vezes por dia. Esse processo deve ser feito sempre sob refrigeração, para evitar a deterioração do alimento. O peixe deve ser mantido na geladeira, já cortado em postas, e a água precisa ser renovada ao longo do período. Dessa forma, a nutricionista explica que é possível reduzir significativamente a quantidade de sódio presente no bacalhau.

Ainda após o preparo, o alimento exige cautela. "Mesmo dessalgado, uma porção de 200 gramas pode se aproximar do limite diário recomendado de sal. Por isso, a orientação é consumir com moderação, entre 100 e 200 gramas, e equilibrar com alimentos que não tenham sódio, como legumes e verduras", orienta.
Ela também chama atenção para itens que muitas vezes passam despercebidos. "As azeitonas podem ser ainda mais críticas do que o próprio bacalhau. Em 100 gramas, a gente pode ter cerca de 1,5 grama de sódio. Uma dica simples é deixá-las de molho em água filtrada por alguns minutos para reduzir esse excesso", acrescenta.

A nutricionista reforça, ainda, que pequenas mudanças no preparo fazem toda diferença no resultado final da refeição. "O ideal é investir em temperos naturais, como alho, cebola e ervas frescas, evitando os industrializados. Além disso, montar um prato colorido, com batata, cenoura, pimentão e folhas, ajuda a equilibrar a refeição, trazendo nutrientes sem aumentar o teor de sódio", diz.

Sobre o tradicional ovo de Páscoa, ela tranquiliza: "O chocolate, de forma geral, não é rico em sódio. O cuidado maior deve ser com os recheios, que podem elevar esse teor. Por isso, vale sempre conferir o rótulo". A recomendação geral, segundo a nutricionista, é manter o consumo de sódio dentro do limite de cerca de 2 g por dia (o equivalente a aproximadamente 5 gramas de sal) e lembrar que o excesso contribui para o aumento da pressão arterial, já que provoca retenção de líquidos no organismo.