Vista do Pão de Açúcar, na Zona Sul do Rio, onde projeto de tirolesa foi barrado pela Justiça Reginaldo Pimenta/Arquivo Agência O Dia
Segundo a sentença, a liberação da obra teve falhas, como falta de justificativa adequada e ausência de debate público. Com isso, qualquer intervenção para instalação da tirolesa está suspensa. O projeto previa a construção de uma atração turística ligando dois dos principais cartões-postais do Rio, área tombada pelo patrimônio histórico nacional e reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Além de barrar a obra, a Justiça determinou que a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar apresente, em até 60 dias, um plano para recuperar a área afetada, incluindo a retirada de estruturas e resíduos deixados no local. A empresa também terá 120 dias para elaborar um plano de gestão da área, sem ampliar construções ou alterar o uso já permitido.
A indenização de R$ 30 milhões será destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos. Na decisão, o juiz considerou o valor inferior ao investimento alegado pela empresa, destacando a relevância do Pão de Açúcar como patrimônio cultural e paisagístico.
A disputa judicial sobre a tirolesa no Pão de Açúcar se arrasta há anos e já teve decisões favoráveis e contrárias ao projeto.
A atração foi anunciada em 2022, como parte das comemorações de 110 anos do bondinho, com previsão de uma descida de 755 metros e velocidade de até 100 km/h. A inauguração era esperada para 2023, mas as obras foram suspensas ainda naquele ano, após ação do Ministério Público Federal (MPF) apontar impactos ambientais e riscos ao patrimônio tombado.
Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a autorizar a retomada das obras ao negar um recurso do MPF, mantendo decisão anterior favorável ao projeto. Na ocasião, o tribunal entendeu que não havia irregularidades formais suficientes para barrar o andamento.
Apesar disso, o tema continuou sendo discutido na Justiça. A nova sentença da 20ª Vara Federal retoma o entendimento contrário à obra, agora apontando falhas no processo de licenciamento e falta de participação pública na decisão.
O projeto também enfrentou resistência de moradores da Urca e especialistas, que criticaram possíveis impactos ambientais e a descaracterização da paisagem, protegida desde 1973 e reconhecida internacionalmente desde 2012.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que “não foi intimado da decisão mencionada e, portanto, não dispõe, no momento, de elementos para se manifestar sobre o seu teor”. O órgão acrescentou que, “uma vez regularmente intimado, adotará as providências cabíveis”, e que eventuais medidas judiciais serão conduzidas pela Procuradoria-Geral Federal, vinculada à Advocacia-Geral da União.

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