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Mercado de Peixe São Pedro fica lotado às vésperas da Sexta-Feira Santa

Procura por pescados frescos, variedade e preços acessíveis atrai clientes; Expectativa é que mais de 15 mil pessoas passem pelo espaço até o feriado

O mais tradicional ponto de venda de pescados do estado, o Mercado São Pedro, em Niterói, na Região Metropolitana, já registra grande movimentação nesta quinta-feira (1º), às vésperas da Sexta-Feira Santa. Em meio à tradição e à procura por peixes frescos, variedade e preços acessíveis, a expectativa é que mais de 15 mil pessoas passem pelo espaço até o feriado. Entre os produtos mais procurados, dourado, tilápia, camarão e sardinha lideram as vendas.
Ao DIA, o diretor da Associação de Comerciantes e Amigos do Mercado São Pedro e administrador do espaço, Atílio Guglielmo, revelou que o estabelecimento deve vender cerca de 100 toneladas de pescado.
"Em uma semana normal, passam por aqui de 2 mil a 3 mil pessoas. Já na Semana Santa, que vai de domingo a domingo, a expectativa é chegar a cerca de 15 mil. Em relação ao peixe, normalmente são de 20 a 30 toneladas por semana, mas a gente espera atingir 100 toneladas até o fim desse período. Esses últimos dias já estão bem movimentados, até um pouquinho a mais do que no ano passado", explicou.
Segundo Atílio, a movimentação maior acaba sempre sendo na quinta e na própria Sexta-feira Santa. Ele explica que, apesar da grande quantidade de consumidores, há pescados suficientes, de todos os tipos e preços.
"A gente entende isso das pessoas deixarem para a última hora, até pela parte financeira, muita gente recebendo pagamentos por agora, esperando o cartão virar… A gente já tem essa tradição de ser na quinta e na sexta os melhores dias, os de mais movimento. Então, nós estamos preparados para receber os clientes, tem peixe para todo mundo. A partir de R$ 15 você compra um peixe que vai até R$ 120, R$ 130, depende do bolso de cada um", relatou.
Entre os produtos mais baratos estão as sardinhas, que saem na faixa de R$ 12 a R$ 15. Em seguida, temos a tilápia, corvina ou dourado, variando entre R$ 25 e R$ 35. Os preços alternam de acordo com as peixarias.
"Um pouco mais, um pouco menos, depende da conversa que a pessoa vai ter com o comerciante. Aqui tem essa negociação direta, apesar de hoje ser um dia de movimento maior, tem essa negociação", ressaltou o administrador.
O diretor frisou ainda que os pescados frescos chegam todos os dias e que os valores não costumam ter grandes variações.
"O peixe é o alimento mais saudável. O que a gente espera é que a pessoa venha comer peixe não só na Semana Santa, mas o ano inteiro, porque sempre vai ter um com preço acessível. Como a gente trabalha com peixe que chega no dia a dia, a variação depende muito do tipo e da quantidade. Então, pode ter um que subiu um pouquinho, mas também tem aquele que caiu porque veio mais. Mesmo assim, sempre tem alguma opção com preço acessível", acrescentou.
Atílio é italiano e chegou ao Brasil aos 8 anos. Ele trabalhou com o pai em um dos boxes por anos. "Eu cheguei da Itália em 1975. São 51 anos de Brasil e 51 anos de mercado de peixe", afirmou.
Tradicional, o estabelecimento, que conta com 37 peixarias e cinco restaurantes especializados na gastronomia do mar, reúne muitas histórias de família.
Os irmãos Giuliana e Thiago Zennaro seguem o legado da família do avô, um dos pioneiros no mercado de peixe.
"O Thiago cresceu aqui, eu venho ajudar nessas datas. O nosso avô era italiano e chegou ao Brasil aos 16 anos, foi um dos pioneiros. Ele deixou esse legado e estamos seguindo", contou Giuliana.
Thiago revelou que trabalha há 20 anos no ramo e que o que mais tem vendido é camarão, tilápia e sardinha. "De lá pra cá, caiu o movimento um pouco, o preço até que não mudou muito", disse.
Giuliana acrescentou que muitas pessoas acabam deixando para a última hora. "É sempre bom comprar com antecedência, mas o brasileiro gosta de deixar para a última hora, também por conta da vida movimentada, acaba ficando sem tempo, mas tem pra todo mundo", frisou.
Outro comerciante, João Leite, 63 anos, considera o mercado sua segunda casa. Ele acredita que conquistar a freguesia é a melhor opção para manter o movimento.
"Aqui eu vendo muito salmão e filé de peixe. O filé de peixe está saindo a R$ 35 reais e o salmão, R$ 100. Eu já trabalho há 45 anos no mercado, o movimento em geral está ruim, deu uma caída, mas quem tem freguesia mantém, aí dá para estabilizar. Mais de 40 anos é uma vida aqui, é acordar e vir pra cá. Aqui é praticamente uma casa nossa", ressaltou.
Consumidores garantem cardápio
O trio de amigos, Marco Aurélio, 63, Marco Aurélio, 59, e Ramon Gil, 72, saíram da Glória, na Zona Sul do Rio, para garantir o pescado para uma tradicional confraternização.
"Viemos comprar todo tipo de peixe para a gente fazer uma confraternização dos amigos no bairro da Glória. Moramos no Rio, mas temos o costume de vir aqui sempre, essa confraternização acontece há mais de 12 anos. Aqui, em vista dos preços que nós olhamos, o preço está bom, tem peixe fresquinho e um bom atendimento. Então, vale muito a pena sair do Rio e vir pra cá", disse Marco.
Quem também atravessou a Ponte Rio-Niterói foi a família de Lidiane Fernandes, 39 anos. Moradora da Ilha do Governador, na Zona Norte, ela tem o costume de frequentar o local em busca de peixes frescos.
"Eu vim comprar corvina porque meu filho é alérgico, mas também estamos levando filé de peixe e siri. Para sexta, a gente sempre dá uma pesquisada pra fazer algo diferente e reunir a família toda. Eu moro na Ilha e vale muito a pena sair de lá, pelo preço, qualidade, o sabor é totalmente diferente. Eu venho todo ano antes da Sexta-feira Santa e esporadicamente também", afirmou.
Moradores da cidade também marcaram presença, como a professora Adriana Arezzo, 60 anos, de Icaraí, que fez as compras acompanhada da filha, Pilar Arezzo, 20.
"A gente costuma fazer peixe no forno com camarão, mas o intuito mesmo é reunir a família. A gente vem na quinta e sempre tem esse movimento. Os preços estão mais ou menos, estão acompanhando o mercado, sempre na Semana Santa sobe um pouco, mas não está muito alto não, achei que fosse estar mais", disse.
Com receitas em mente e pensando na família, os consumidores garantiram os pescados. "Vim comprar peixe, camarão e corvina. Geralmente, fazemos um strogonoff, um peixe assado, um atum que a gente gosta muito, que fazemos no forno, tudo isso para reunir a família, o filho. Todo ano venho aqui, hoje acho que está mais devagar do que ano passado, acho que o pessoal ainda vai chegar, mas eu achei os preços dentro da média, está variável, não teve muita diferença do ano passado", contou a doméstica Adriana Rosa de Lima.
Moradora da comunidade do Sabão, a manicure Grasiele dos Santos, 32 anos, também esteve no estabelecimento acompanhada da mãe e falou um pouco sobre a tradição entre os familiares.
"Vamos fazer um bobó de camarão, que já é tradição, um peixinho frito, um pirão e é isso. O mais importante é reunir a família. Todos os anos a gente vem aqui e o preço está excelente, até me assustei um pouquinho, mas está bem em conta, bem acessível, e estou achando o movimento bem tranquilo, porque costuma ser bem mais agitado", revelou.
Já o orientador social, Wanderson Barbosa, 30 anos, achou o espaço bem movimentado.
"Viemos comprar peixe inteiro em posta, camarão e siri. Vamos fazer um camarão na moranga e bobó de camarão. Sempre que queremos comprar frutos do mar, a gente vem aqui. Eu estou achando que já está muito lotado, mas o preço está bem acessível pela data de hoje", relatou.
Horário de funcionamento
O funcionamento nesta quinta-feira (2) é até as 18h. Na sexta-feira (3), as peixarias irão abrir às 5h e vão até as 14h.
Dicas na hora de escolher o peixe
Comerciantes ouvidos pelo DIA deram dicas para os consumidores na hora de comprar peixes.
"Sempre olhar a parte da guelra, olho brilhando, textura da pele, ela limpa fica bem vermelha. Aqui a gente limpa na hora, essa é a dica mais fácil que tem, mas, se quiser ser mais especialista, tem que olhar o ânus, não pode estar muito preto, tem que estar mais clarinho, cinza", disse Wanderson Generoso, 56 anos.
Gerente de uma das peixarias, Joselito Silva, 38 anos, revelou que a quinta e a sexta costumam ser os dias com mais intensidade de clientes.
"Nessa época, como tem muita saída, as pessoas têm que ver mais a coloração do peixe, o brilho, que é o principal, porque o peixe, quando fica velho, fica opaco, sem cor", frisou.
Quem também reforçou o alerta para cuidados na hora da compra foi a Secretaria de Estado de Saúde do Rio. Na quarta (1º), equipes da Vigilância Sanitária estiveram no Mercado São Pedro para orientar consumidores sobre práticas seguras.
Segundo a superintendente de Vigilância Sanitária da SES-RJ, Helen Keller, medidas simples podem evitar problemas. "O pescado é muito sensível e, quando não manipulado corretamente, pode favorecer a proliferação de bactérias", afirmou.
Por serem altamente perecíveis, peixes e frutos do mar exigem cuidado redobrado. A nutricionista Jussara Salgado explica que há sinais claros de frescor, como carne firme, escamas brilhantes, olhos salientes e odor suave.
O consumidor deve evitar produtos com cheiro forte ou sem refrigeração adequada. O ideal é que o pescado esteja sobre gelo e bem protegido. No caso de congelados, é importante observar sinais de descongelamento, como embalagens úmidas.
Também é fundamental verificar as condições do local de venda, como higiene, ausência de insetos e manipulação adequada dos alimentos.
Após a compra, o pescado deve ser armazenado rapidamente sob refrigeração. O consumo cru deve ocorrer em até 24 horas, enquanto preparações cozidas podem ser mantidas por até três dias.
Durante o preparo, a higiene é essencial, com atenção à lavagem das mãos, dos utensílios e à separação entre alimentos crus e cozidos. No caso do bacalhau, o dessalgue deve ser feito sob refrigeração.
A ingestão de alimentos contaminados pode causar náuseas, vômitos e diarreia, podendo evoluir para quadros mais graves.
Mercado São Pedro
O Mercado São Pedro inicialmente localizava-se na Rua Visconde de Rio Branco, na época chamada de Rua da Praia porque até lá chegavam as águas da Baía de Guanabara. Antes do aterro, sua estrutura era toda feita em madeira e suas dependências estendiam-se mar adentro sobre um cais flutuante.
Com o início do aterramento da orla do Centro de Niterói, no início da década de 1970, esse edifício foi desativado e o mercado mudou-se para o seu atual endereço na Ponta D’Areia.
Por que comer peixe na Sexta-Feira Santa?
Na Sexta-Feira Santa, o consumo de peixe é uma tradição cristã, como um gesto de fé e reflexão. A data, que relembra a morte de Jesus Cristo, é marcada pela abstinência de carne vermelha, vista por muitos fiéis como um ato de respeito e sacrifício. Nesse contexto, o peixe ganha espaço à mesa, mantendo um costume que atravessa gerações.
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