O caso foi registrado na 72ªDP (São Gonçalo) Google / Reprodução
Menina de 11 anos é forçada a comer cocô em caso de bullying em São Gonçalo
O caso é investigado pela Polícia Civil
Rio - A Polícia Civil investiga um caso de bullying contra uma criança de 11 anos em um condomínio no bairro Galo Branco, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Ao DIA, a avó da vítima denunciou que a menina foi levada a uma área de mata e obrigada a comer cocô de cachorro por um grupo de garotas um pouco mais velhas.
A cena de terror foi filmada pelas crianças e compartilhada entre amigos na última segunda-feira (30). No vídeo, uma menina de 14 anos aparece com as fezes em uma sacola de plástico: 'Vai rápido, dá um chupão aqui. Bora, não estou brincando", disse. Em meio a risadas de outras colegas, a vítima fala repetidamente: "Para, não, não quero."
Segundo a avó, a menina a ligou desesperada logo após o ocorrido. "Ela me ligou chorando muito e não queria me explicar o que estava acontecendo. Só pediu para eu ir lá correndo. Eu larguei tudo o que estava fazendo, saí correndo, e fui lá ver. Chegando lá, ela não queria me contar, ela só entrou direto dentro do carro e falou assim: 'Vó, me tira daqui. Vamos sair daqui, vamos sair daqui'", relatou.
A familiar explicou que precisou insistir para saber o que tinha acontecido. "Eu fui conversando com ela e tentando tranquilizar, mas ela estava muito nervosa e com a blusa toda suja de cocô. Até que, em um momento, ela contou que tinha ido à explicadora, que também fica no condomínio, e que, quando saiu, algumas meninas a chamaram para ver uma lagoa que fica atrás do local", afirmou.
A avó acredita que tudo tenha sido planejado, já que depois, outras crianças revelaram que as meninas disseram que a vítima era muito "bobinha".
"Levaram um saco com fezes até esse lugar e, ao chegarem lá, deram uma escolha: ou ela apanhava com pedradas ou comia as fezes. Ela ainda relutou, mas, segundo o relato, uma das meninas acabou forçando e enfiando fezes na boca dela, além de esfregar no rosto. Pegaram fezes e sujaram o rosto dela todo", contou.
Ainda no condomínio, a avó descobriu que a neta vinha sendo agredida e coagida pela mesma criança. "Ela batia na cara da minha neta, entrou na casa do avô dela para bater, já a jogou na frente de um carro e a minha neta ficou quieta todo esse tempo, mas esse fato ela não suportou. E ela já vem numa fase muito fragilizada porque o pai dela, que é meu filho, faleceu ano passado", acrescentou.
A família da vítima chegou a procurar os pais das crianças. "A princípio, a mãe ainda ficou questionando, tipo: se minha filha fez alguma coisa com a sua neta, foi porque ela fez alguma coisa com a minha filha. Eu falei com a mãe da outra também, que não mora lá dentro do condomínio, mas que gravou, essa teve uma atitude mais severa", relatou.
A avó pede justiça e espera que o caso não fique impune. "É repugnante, não quero que essa situação passe impune e quero que tenha visibilidade para que os pais fiquem mais atentos aos seus filhos. A minha neta está arrasada, muito introspectiva, está chorando. É um sentimento horrível, porque foi humilhante o que essa menina fez ela passar", finalizou.
Segundo a Polícia Civil, a investigação está em andamento na 72ª DP (São Gonçalo). Agentes realizam diligências para apurar os fatos.

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