Chef Monique Benoliel afirma ter sido alvo de fala discriminatóriaReprodução / Redes Sociais

Rio – Um caso envolvendo suposta discriminação religiosa em uma delicatessen na Cobal do Leblon, na Zona Sul do Rio, ganhou repercussão após o relato de uma cliente e a atuação da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro. A empresa Delly Gil divulgou nota nas redes sociais negando qualquer conduta preconceituosa, enquanto a entidade afirma já ter adotado medidas legais e acompanha o caso.
A denúncia partiu da chef Monique Benoliel, que afirma ter sido alvo de uma fala discriminatória ao questionar a ausência de produtos típicos de Pessach, como o matzá, pão sem fermento consumido durante a celebração judaica. Segundo ela, o proprietário do estabelecimento teria respondido de forma hostil, dizendo que não comprava mais produtos judaicos, que estava "cansado dos judeus" e que não venderia mais para esse público.
Ainda de acordo com o relato, a chef teria se surpreendido com a resposta e sinalizado que deixaria de frequentar o local. O comerciante, segundo ela, teria concordado. Monique afirma que deixou as compras no local e saiu abalada. Ela também relata que uma funcionária pediu desculpas pelo ocorrido e que havia testemunhas no estabelecimento.
Em nota publicada no Instagram, a Delly Gil afirmou que foi informada sobre o relato e reconheceu que o episódio gerou "desconforto e preocupação". A empresa declarou que não compactua com qualquer forma de desrespeito ou preconceito e pediu desculpas caso alguma fala tenha sido interpretada de maneira inadequada. Segundo o comunicado, o negócio é familiar e foi construído com base no respeito e na convivência com diferentes públicos, incluindo a comunidade judaica, com a qual afirma manter relação próxima. A empresa também informou que está à disposição para diálogo.
Veja a nota na íntegra:

"Nos últimos dias, fomos informados de um relato envolvendo um atendimento em nossa loja, que gerou desconforto e preocupação.

Queremos esclarecer, de forma sincera, que não compactuamos com qualquer forma de desrespeito ou preconceito.

Se alguma fala ou situação foi interpretada de maneira inadequada, pedimos desculpas. Não é essa a forma como conduzimos nossa relação com clientes ao longo de todos esses anos.

A Delly Gil é uma empresa familiar, construída com base no respeito, no cuidado e na convivência com diferentes pessoas e histórias, incluindo a comunidade judaica, com quem sempre mantivemos uma relação próxima.

Estamos atentos ao ocorrido e seguimos à disposição para o diálogo, com responsabilidade e respeito."
Já a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro comunicou que notificou extrajudicialmente a empresa responsável pela delicatessen, a Vale Formoso Importação e Exportação Ltda. para que preste esclarecimentos formais. A entidade informou que recebeu a denúncia por canais informais e que os fatos ainda estão em apuração preliminar.
No documento, a federação destaca que, caso confirmadas, as condutas relatadas podem, em tese, ser enquadradas como prática discriminatória por origem, identidade ou religião, com base na Lei, além de possível violação a princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana e a igualdade.
A entidade deu prazo de três dias para que a empresa apresente uma manifestação detalhada, incluindo identificação dos envolvidos, possíveis testemunhas, registros internos e informações sobre políticas de prevenção à discriminação. A federação também ressaltou que episódios desse tipo têm alta sensibilidade social, por impactarem não apenas os envolvidos diretamente, mas também a coletividade ligada à religião ou origem mencionada.
A Procuradoria da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro informou que acompanha o caso de perto e presta apoio às vítimas. "Seguimos vigilantes. Não toleramos qualquer forma de discriminação. Respeito não é opcional", afirmou a entidade em nota.
Veja a nota completa:

"A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro informa que já adotou as medidas legais cabíveis em relação ao caso envolvendo o estabelecimento Delly Gil.

A empresa foi formalmente notificada para prestar esclarecimentos.

Nossa Procuradoria está acompanhando o caso de perto, atuando na elaboração dos documentos necessários e prestando total apoio às vítimas, inclusive no acompanhamento das medidas cabíveis.

Seguimos vigilantes.

Não toleramos qualquer forma de discriminação.

Respeito não é opcional."