Michel Cardoso teve diversos cortes no rostoArquivo Pessoal

Rio - A Polícia Civil investiga um caso de agressão contra um designer ocorrido em um bar no Centro de Mesquita, na Baixada Fluminense. Michel Fernandes Cardoso, de 38 anos, denunciou que um homem o agrediu com uma garrafa de vidro depois de ofensas homofóbicas.
Em depoimento na 53ª DP (Mesquita), a vítima contou que estava em um estabelecimento, na Rua Romildo Souza Bastos, na madrugada da última sexta-feira (10), quando escutou um homem falar que não tolerava pessoas homossexuais e que a orientação sexual existia por "falta de porrada".
Ainda segundo Michel, ele se revoltou com as provocações e rebateu as ofensas. O autor então caminhou em sua direção e o derrubou. O designer também afirmou que, quando estava no chão, o agressor o cortou com uma garrafa de vidro quebrada, gerando ferimentos profundos na testa, nariz e próximo aos olhos.
A vítima ressaltou que conseguiu se desvencilhar ao arremessar uma cadeira em direção ao agressor. Ao DIA, nesta quarta-feira (15), ele contou que nenhum cliente o defendeu.
"Como homossexual, que vivo assumidamente desde os 16 anos, me incomodei com a situação e pedi que ele parasse, pois estava me ofendendo. Além da fala homofóbica e vexatória, ele tinha falas agressivas. A partir daí, ele veio para cima de mim, me deu um soco na boca e depois agarrou meu pescoço, pegou uma garrafa e quebrou na parede. Caímos no chão enquanto eu tentava me defender. Ele começou a fazer cortes no meu rosto, muito claramente na tentativa de me desfigurar ou quem sabe de fazer algo pior. O bar tinha aproximadamente 10 pessoas, mas ninguém tentou me defender", disse.
De acordo com a Polícia Militar, uma equipe do 20º BPM (Mesquita) prestou socorro à vítima e a encaminhou para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Edson Passos, ainda em Mesquita. No local, Michel recebeu suturas nos cortes antes de ser liberado para registrar o caso.
Na última segunda-feira (13), o suspeito compareceu à 53ª DP para dar a sua versão. O homem afirmou que Michel o agrediu primeiro ao jogar um copo em sua testa e, como resposta, deu um golpe com a garrafa no designer. Ele ainda negou ter dito falas homofóbicas.
A vítima deseja que o caso registrado como lesão corporal seja classificado como tentativa de homicídio. "É um crime de ódio, muito dolorido. Só peço que parem de matar a gente. Só queremos viver, ser quem a gente é, sem ouvir nenhum tipo de barbaridade, sem qualquer tipo de violência", completou Michel.
A Polícia Civil informou que os agentes da distrital buscam imagens de câmeras de segurança e testemunhas para esclarecer o caso. Outras diligências também estão em andamento.
Apoio
Desde a denúncia, Michel recebe apoio Coordenadoria de Diversidade Sexual da Prefeitura de Mesquita. O órgão afirmou que seguirá acompanhando o caso junto aos órgãos competentes para que os fatos sejam devidamente apurados e que não fique impune.
"Fiquei ciente desse caso por um grande amigo. Homofobia e transfobia não passarão. Não aceitaremos isso no município. Parem de nos matar, parem de nos agredir", disse Paulinha Única, coordenadora da pasta, em um vídeo nas redes sociais.