Manifestação de servidores e estudantes da UERJ com parte da greve de docentes em frente ao TJRJ, centro do Rio de Janeiro na tarde desta quarta-feira (15). Foto: Érica Martin Agência O DiaErica Martin/Agencia O Dia

Rio - Professores, técnicos e estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) realizam, na tarde desta quarta-feira (15), uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Em meio à greve, as categorias cobram do governo estadual a recomposição salarial e melhores condições de funcionamento da universidade. Durante a tarde, representantes sindicais e a reitoria da universidade foram recebidos pelo executivo. 

Segundo o professor da Faculdade de Serviço Social e integrante do comando de greve docente, José Rodolfo, a paralisação é resultado de perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos. "A nossa luta parte de uma avaliação de que a gente tem uma perda com inflação de 110% do nosso salário. A inflação teve 110% de aumento e o nosso salário não teve reajuste", afirmou.
Ele destacou ainda que um acordo firmado anteriormente não foi cumprido integralmente: "Em 2021, a gente teve aprovada uma recomposição salarial em três parcelas. Uma parcela foi paga, as outras parcelas não foram pagas".

Além da recomposição, os docentes também reivindicam a retomada de direitos, como o adicional por tempo de serviço. "O triênio, que é um adicional a cada três anos, foi restringido para novos servidores. Eu, por exemplo, já entro sem esse direito”, explicou. Outro ponto central é o orçamento da universidade. "A Uerj tem hoje um orçamento praticamente igual ao de dez anos atrás, mesmo com aumento de estudantes, novos campi e a inflação corroendo o poder de compra", disse.

Os técnicos administrativos também aderiram ao movimento e relatam cenário semelhante. A técnica na faculdade de enfermagem e conselheira universitária Ana Louise Araújo pontuou que a categoria acumula perdas desde 2017. "A gente está querendo a nossa recomposição salarial, que é aquele ajuste inflacionário que a gente não está recebendo há muitos e muitos anos. Foi negociado, mas não foi cumprido integralmente", declarou. Ela acrescentou que há outras demandas internas, como a retomada de auxílios e a implementação de um plano de carreira. 
No entanto, segundo Ana Louise, a reunião foi construtiva " A impressão do comando de greve dos técnicos foi que o governador foi receptivo e compreendeu as razões que legitimam nossa greve e reconhece a dívida para com a UERJ. Ele está disposto a analisar a situação e já marcou uma nova reunião, na sexta-feira às 18 horas, para apresentar uma resposta inicial.", afirmou 

Apesar dos impactos da paralisação, os grevistas afirmam que a responsabilidade recai sobre a falta de negociação das autoridades. "Ao não atender as nossas reivindicações, o governo acaba prejudicando os estudantes e a população", opinou José Rodolfo, que ressaltou os serviços essenciais prestados pela universidade, como atendimento hospitalar e formação na educação básica.