Policiamento reforçado no Vidigal após tiroteioReginaldo Pimenta/Agência O DIA

Rio - Uma operação da Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público da Bahia (MPBA), provocou um intenso tiroteio no Vidigal, na Zona Sul, no início da manhã desta segunda-feira (20). Em meio ao confronto, turistas ficaram presos no alto do Morro Dois Irmãos. Além disso, a Avenida Niemeyer chegou a ser interditada nos dois sentidos. Até o momento, três criminosos foram presos.
Na véspera do feriado, dezenas de visitantes apreciavam o nascer do sol do alto do morro, quando foram surpreendidos pelos disparos. Imagens mostram o público aglomerado na região.
Ainda na localidade, contêineres da Comlurb acabaram incendiados e usados como barricadas. Segundo o Rio Ônibus, sete linhas tiveram  itinerários desviados para garantir a segurança de rodoviários e passageiros na Avenida Niemeyer. Confira:
104 São Conrado x Gentileza
109 São Conrado x Gentileza
552 Alvorada x Rio Sul
554 Piabas x Rio Sul
557 Rio das Pedras x Copacabana
2334 Campo Grande x Castelo
2338 Campo Grande x Castelo
De acordo com o Centro de Operações Rio, a via foi liberada pouco antes das 7h. Como alternativa, motoristas optaram pela Autoestrada Lagoa-Barra. A circulação dos coletivos também segue normalizada.
Por volta das 7h20, após a situação ser controlada, os turistas conseguiram deixar a comunidade. A segurança está reforçada com apoio de veículos blindados da PM.
Segundo a Polícia Civil, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) atuam em ação integrada com forças de segurança baianas para localizar e capturar lideranças do Comando Vermelho (CV).
Morro Dois Irmãos
O Morro Dois Irmãos é um dos pontos turísticos mais procurados do Rio. Para chegar ao topo, visitantes fazem uma trilha que começa na comunidade do Vidigal e, ao final do percurso, são recompensados com uma vista privilegiada das orlas da Zona Sul. Geralmente, turistas vão ao local para apreciar o nascer do sol.

Com cerca de 1,5 km de extensão, o trajeto leva, em média, 40 minutos e alterna trechos íngremes com outros mais leves. A trilha é considerada de nível fácil a moderado. 
Operação mira criminosos da BA escondidos no RJ
Segundo o MPBA, a ação mira lideranças de organização criminosa do sul da Bahia, que estavam escondidas na comunidade do Vidigal. O grupo investigado tem envolvimento com tráficos de drogas e armas, mortes violentas, corrupção de menores, roubos, entre outros delitos.
Dentre os presos na ação, está Núbia Santos Oliveira, uma das principais operadoras financeiras da facção baiana Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ligada ao Comando Vermelho. Ela é companheira de Wallas Souza Soares, conhecido como "Patola", um dos líderes do grupo, ao lado de Ednaldo Pereira dos Santos, o "Dada".

Núbia também é investigada por lavagem de dinheiro e possuía dois mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e homicídio.

Além dela, os agentes prenderam em flagrante Patrick Cesar Tobias Xavier. Com ele, foram apreendidas mochilas com drogas, roupas camufladas e um rádio comunicador. Durante a abordagem, ele apresentou documento falso. Conhecido como "Bart", de 38 anos, o criminoso é apontado como líder do tráfico de drogas e um dos mais procurados do estado de Goiás, onde havia mandado de prisão em aberto.

Outro preso é Christian Fernandes Rodrigues da Silva, detido em flagrante portando um fuzil Colt calibre 5,56 e uma pistola Canik calibre 9 mm com numeração raspada. Ele é natural do estado de Minas Gerais.
Uma quarta pessoa chegou a ser conduzida à delegacia, por ser o responsável pela casa onde estavam os suspeitos, para esclarecimento, mas foi liberado em seguida.
Ao todo, entre os materiais apreendidos estão um fuzil Colt calibre 5,56, uma espingarda calibre 12, uma pistola Canik calibre 9 mm com numeração raspada, drogas, carregadores de fuzil, rádios transmissores, roupas camufladas e telefones celulares.
A operação tem como objetivo prender 13 detentos que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis, em dezembro de 2024, e que, desde então, estão no Rio, sob a proteção do Comando Vermelho.

As investigações apontam que os alvos da operação, mesmo foragidos, continuam exercendo papel de liderança e comando à distância, articulando ações criminosas e mantendo vínculos com o tráfico de drogas e outros delitos. O monitoramento e as investigações continuarão de forma permanente até a captura de todos os fugitivos.