Referência no jornalismo independente, Raimundo fundou o jornal Movimento durante a ditadura militarReprodução
Referência no jornalismo independente, Raimundo fundou o jornal Movimento durante a ditadura militar, onde ficou conhecido por ser um dos líderes no movimento de resistência democrática. Segundo a ABI, "o veículo assumiu papel decisivo na denúncia das arbitrariedades do regime e na construção de uma narrativa crítica em defesa da democracia".
Não só nos textos, mas a resistência política de Raimundo está presente na história de vida. Ele foi preso durante a ditadura enquanto cursava Engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São Paulo, alvo de perseguição ideológica por um jornal que circulava entre os estudantes. Após ser solto, se formou em física pela Universidade de São Paulo (USP) e atuou como jornalista em revistas técnicas até alcançar a grande imprensa, passando por veículos como a revista Realidade e O Estado de S. Paulo.
Legado de resistência
Raimundo se destacou pela qualidade de reportagens e pela profundidade de suas análises e usou a fórmula para a imprensa alternativa. O jornal Movimento teve mais de 300 edições semanais, mas, por conta da repressão, o jornal sofria censura e passava por dificuldades financeiras. Segundo a ABI, em várias edições os espaços em branco denunciavam a violência do regime contra a liberdade de imprensa.
Marcelo Auler, conselheiro da associação, falou sobre o legado deixado pelo jornalista: "Raimundo Rodrigues Pereira foi um guerreiro e empreendedor da informação, do jornalismo, mas acima de tudo da Democracia, com "D" maiúsculo. É uma grande perda para todos os jornalistas, mas também para o Brasil democrático".

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