Thiago Rangel foi preso em operação da Polícia Federal na terça-feira (5)Reprodução/Redes sociais
Segundo denúncia à qual O DIA teve acesso, a PF identificou uma relação próxima entre o deputado e o traficante. Em uma conversa interceptada em 23 de junho de 2021, Fábio Pourbaix Azevedo, apontado como braço direito do deputado, orienta Rangel a reservar duas vagas na secretaria para Júnior do Beco.
Na troca de mensagens, Fábio pede que o parlamentar entre em contato com o traficante ou forneça seu número. Em resposta, Rangel encaminha o contato salvo como "Junior Beco" e solicita que o assessor faça a interlocução em seu nome, informando que havia oito vagas disponíveis para o cargo de auxiliar de serviços gerais, sendo duas destinadas ao criminoso.
Ainda de acordo com a investigação, o contato indicado enviou, no mesmo dia, dois nomes para preenchimento das vagas e, posteriormente, solicitou a inclusão de uma terceira pessoa. Dias depois, houve a substituição de uma das indicadas por outro nome.
A PF identificou que uma das pessoas listadas é irmã do criminoso, enquanto outra tem ligação com um investigado na Operação Roncador, que teve como objetivo desarticular lideranças do tráfico de drogas na região de Campos dos Goytacazes.
Fábio Pourbaix Azevedo, também alvo da operação deflagrada nesta terça-feira, já havia sido preso em setembro de 2022, sob suspeita de compra de votos. Na ocasião, foram apreendidos R$ 39 mil em espécie e material de campanha de Rangel, fato que deu origem à chamada Operação Postos de Mídias.
Segundo a PF, as apurações revelaram um possível esquema de direcionamento das contratações realizadas por escolas estaduais para empresas previamente selecionadas e vinculadas ao grupo investigado.
Além do crime de organização criminosa, os suspeitos poderão responder por peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Ainda há a possibilidade de outros delitos surgirem no decorrer da investigação.

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