As investigações apontam para um cenário de irregularidades sistêmicas dentro da unidadeReprodução/PMERJ
Corregedoria da PM mira esquema de pagamento para dispensa de serviço na UPP Manguinhos
Mandados foram cumpridos contra 20 policiais militares investigados por participação em um suposto sistema de favorecimento em escalas mediante pagamento
Uma operação realizada nesta quarta-feira (6) pela Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público do Estado (MPRJ), teve como alvo 20 policiais militares suspeitos de envolvimento em um esquema de pagamento para liberação indevida de escalas de serviço na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, na Zona Norte da capital.
Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, além de medidas de quebra de sigilo de dados telemáticos dos investigados. A ação é resultado de um inquérito que apura a existência de um sistema irregular dentro da unidade, no qual policiais pagariam valores que variavam entre R$ 2.220 e R$ 4.500 para evitar o cumprimento de suas funções.
As apurações tiveram início após uma inspeção realizada pela Corregedoria da PM em 19 de dezembro de 2024 na própria UPP Manguinhos. Durante a ação, agentes encontraram um revólver calibre 38 com numeração raspada, além de anotações financeiras que levantaram suspeitas sobre a existência de um esquema organizado.
Na ocasião, também foi apreendida uma mochila contendo R$ 24.050 em espécie. Dois capitães da PM identificados como Ismael Gomes Santos e Leonardo Freitas Massari Augusto foram presos em flagrante. Eles respondem atualmente pelo crime de porte ilegal de arma de fogo na Auditoria da Justiça Militar.
De acordo com o Ministério Público, as investigações apontam para um cenário de irregularidades sistêmicas dentro da unidade, incluindo a existência de um “cronograma informal” para dispensas de serviço. Esse mecanismo beneficiaria um grupo restrito de policiais, que efetuariam pagamentos em dinheiro para serem liberados das escalas.
Como parte das medidas autorizadas pela Justiça, também foi determinada a quebra do sigilo de dados telefônicos, incluindo registros de localização, de quatro policiais militares que apresentaram ausências injustificadas entre 35 e 45 dias. O objetivo é cruzar as informações oficiais de escala com a localização real dos agentes nos períodos analisados.
As investigações seguem em andamento e buscam identificar a extensão do esquema, bem como possíveis responsáveis pela organização e manutenção do sistema irregular. Até o momento, não houve manifestação das defesas dos policiais citados.


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.