Rio - Esta quarta-feira (13) promete ser de uma grande celebração nos terreiros do Rio. Em diferentes regiões do estado, umbandistas reverenciam os Pretos Velhos, com giras e feijoadas. A data é emblemática pela referência que faz à Abolição da Escravatura, em 1888.
As festividades, programadas para terreiros na capital, na Região Metropolitana e na Baixada Fluminense, começam a partir das 19h. Além das giras, serão ofertadas gratuitamente a feijoada e outros quitutes.
Confira a agenda:
Zona Norte
Casa Caboclo 7 Flechas (unidade do Templo A Caminho da Paz) - Bairro: Tijuca - Hora: 19h - Endereço: Rua Pereira Nunes, 182
Auca Rio com Pai Anderson e Pai Yangô - Bairro: Água Santa - Hora: 19h - Endereço: Rua Engenheiro Clóvis Daudt, 220 (Programação: Feijoada de Pai Benedito de Angola, com participação de Pai João das Almas)
Centro de Umbanda Caminhos de Aruanda (CUCA) - Bairro: Vila Kosmos - Hora: 19h (mas recebe o público às 17h) - Endereço: Rua Aiera, 526 (Recomenda a doação de 1kg de comida não perecível na entrada)
Kwe Ceja Omin Sessu NÃO - Bairro: Padre Miguel - Hora: 18h - Endereço: Rua Tapiranga, 102
Gira de Preto Velho na Praça NÃO - Bairro: Inhoaíba - Hora: 18h - Endereço: Praça dos Pretos Velhos (Programação: Gira com passes de Preto Velho)
Centro
Casa de Zarithamy (outra unidade do Templo A Caminho da Paz) - Bairro: Lapa - Hora: 19h - Endereço: Rua do Resende, 42
Baixada Fluminense
Mãe Mayara de Oxum NÃO - Bairro: Rancho Fundo, Nova Iguaçu - Hora: 18h - Endereço: Rua das Pérpetuas, 580
Região Metropolitana
Pai Cristiano de Oxóssi OK - Bairro: Fonseca, Niterói - Hora: 19h - Endereço: Travessa Luiz de Matos, 106
A celebração
Os Pretos Velhos são entidades ancestrais que representam os humanos escravizados que viveram até alcançar uma idade avançada, apesar dos castigos e da tortura. Para os religiosos da matriz africana, eles trazem ensinamentos e conselhos para quem pede por ajuda.
Entre muitos nomes relembrados nos ritos estão Vovô Rei do Congo, Pai Cipriano, Pai Francisco, Pai Benedito, Pai Tomé, Vovó Catarina, Vovó Cambinda, Vovó Maria Redonda, Vovó Luiza, Tio João, Tio Serafim, Tia Rosa, Tia Anastácia e Tia Maria.
A celebração aos Pretos Velhos fazem parte ainda de um sincretismo religioso, que une aspectos como paz e proteção familiar à caridade destas entidades, com Nossa Senhora de Fátima, também cultuada em 13 de maio, cujas primeiras aparições em Portugal datam de 1917.
Doutor e professor de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rogério Athayde contou ao DIA a importância e a origem dessas entidades: “Bom, as pretas e os pretos velhos vieram da região têm muita influência, particularmente aqui no Rio, por conta da grande presença aqui de povos que vieram da região do Congo, Angola, então estamos falando de um segmento majoritariamente banto com diversas especificidades étnicas que chegam à costa brasileira e aqui na cidade”.
“Eles são associados à sabedoria acumulada pelos anos, nesse caso, de sofrimento por conta da escravização. Quando chegam aos corpos dos médiuns, eles dobram, parecem ter um peso nas costas, e rapidamente buscam um banquinho para que o preto velho ou a preta velha se sente.
O professor comentou ainda que eles podem representar muitas formas: "No final do século XIX, nós temos a formação de uma religião nova, chamada Umbanda. E ela celebra algumas ancestrais divinizados, que tiveram importância para a nossa identidade cultural. Ou seja, do caboclo, do boiadeiro, do marinheiro, falamos da cigana, falamos da pombagira, falamos do malandro, são diversas dessas entidades”.
Athayde também explicou o propósito dos Pretos Velhos na vida dos religiosos: “São entidades que cuidam de nós do ponto de vista da ética, desejam que nós possamos cumprir o melhor de nossos destinos aqui no mundo. São a eles que recorrem quem quer encontrar um bom caminho, ter uma conduta mais adequada, mais correta, mais digna”.
*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Luiz Maurício Azevedo
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