O livro fala sobre alcoolismoDivulgação
Com passagem por importantes redações cariocas, João começou a admitir que precisava de ajuda no início de 2024, quando tinha 48 anos. Andava cambaleante, tinha crises de sonambulismo e sofria apagões em casa ou na rua. Chegou a se internar duas vezes naquele ano, mas enxergava o tratamento apenas como uma etapa a ser cumprida. Recaiu, seu desempenho profissional piorou e foi demitido do jornal onde trabalhava há mais de duas décadas.
"Mergulhei na depressão e na autopiedade. Fiquei um mês deitado na rede da sacada, bebendo desesperadamente. A essa altura, eu já era conhecido como o bêbado do bairro", relembra, até ser levado por um amigo e a namorada a uma nova internação, desta vez encarada com humildade diante do reconhecimento de que estava doente e a morte era iminente: "Hoje, tenho consciência de que serei alcoólatra para o resto da vida. A doença é tão terrível que, mesmo estando bem, às vezes confundo paz com pasmaceira.
Sem poder usar computador pelas regras da clínica, Garrafas ao mar foi escrito inteiramente à mão, em tempo real, enquanto os fatos se desenrolavam. João preservou o olhar e a sensibilidade de repórter. Ele conta em detalhes sua rotina durante a internação e narra inúmeras histórias suas e da convivência com outros pacientes. Alguns, dependentes de álcool e drogas. Outros, que buscavam se libertar do vício em sexo e em jogos, contingente que vem se multiplicando nos últimos anos.
Mais do que um testemunho sobre a luta contra o alcoolismo, Garrafas ao mar é o registro de alguém que precisou perder o chão para reaprender a caminhar. E pode servir como um espelho para tantas pessoas e famílias devastadas. "Limpo” desde setembro do ano passado, João retomou sua carreira de jornalista.
"Não escrevi os textos imaginando que publicaria um livro. Foi como se eu estivesse jogando garrafas ao mar, uma forma de reconexão comigo mesmo", diz ele.

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