Ele nunca é esquecido. Seja de manhã, após as refeições, em reuniões de trabalho, está sempre lá esperando por um consumidor seco para degustá-lo. Pode ser expresso, coado, forte ou fraco. Nas padarias dos diversos bairros do Rio de Janeiro, o cafezinho de todos os dias é sagrado para muitos. Agora com a constante goumertização deixou de ser apenas a bebida predileta dos brasileiros para virar o queridinho em cafeterias. E mais: ganhou versões geladas, aromatizadas, com bebida alcóolica, e por aí vai. No dia 24 de maio, quando é celebrado Dia Nacional do Café, também marca o início da colheita na maioria das regiões produtoras do Brasil como Minas Gerais que lidera, seguido do Espírito Santo, São Paulo e Bahia.
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Na tarde de quinta-feira (21), durante entrevista coletiva online, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), Pavel Cardoso, apresentou os dados do primeiro quadrimestre de 2026 sobre o consumo de café no varejo.A alta foi de 2,44%, com 4,91 milhões de sacas vendidas. Os dados entre janeiro e abril deste ano representam a performance dos associados da ABIC, que têm 86% do share de mercado. Em 2025, o número foi de 4,79 milhões no mesmo período
De acordo com a ABIC, o café está presente em 98% dos lares brasileiros. O setor reúne, aproximadamente, 1.050 indústrias distribuídas pelo país, responsáveis por gerar, aproximadamente, 8.4 milhões de empregos diretos e indiretos. O faturamento da indústria de café torrado, em 2025, alcançou R$ 46,24 bilhões, uma variação positiva de mais 25,6%, quando comparado a 2024.
Redes inovam para celebrar o Dia Nacional do Café
E o aumento não é só do café. O crescimento acompanha um mercado consumidor cada vez mais interessado em qualidade, origem e métodos de preparo. Nos centros urbanos, cafeterias e padarias artesanais passaram a incorporar grãos especiais e experiências mais sofisticadas ao consumo cotidiano. Como, por exemplo, na Boulangerie Carioca, bistrô inspirado no estilo francês, o produto ganha protagonismo não apenas como bebida, mas como elemento de conexão social, produtividade e bem-estar. A marca, que conta com 10 unidades no Brasil, três delas no Rio de Janeiro, comercializa mais de 30 mil cafés por mês.
Segundo Antônio Augusto Ribeiro de Souza, CEO da rede, as micropausas para o café refletem uma mudança de comportamento, que passou a valorizar momentos de descanso e socialização ao longo da rotina. "Em meio a agendas aceleradas, a pausa para a bebida passou a representar um momento breve de desaceleração e socialização. Mais do que consumir um produto, as pessoas buscam experiências que tragam conforto e conexão no meio do dia a dia. Esse movimento também impulsiona o interesse por cafés especiais, métodos diferenciados e ambientes mais acolhedores", comenta o CEO.
Para celebrar a data, a rede resolveu inovar com a prensa francesa: um equipamento manual que extrai o café por infusão. Geralmente, utiliza-se moagem mais grossa e tem um resultado sensorial mais ácido e encorpado. Já o Frappuccino Especial é a junção de frappé (milkshake bem espesso) e cappuccino, café com espuma de leite. Em geral, consiste na mistura de café com leite e gelo. Já na Boulangerie Carioca, o Frappuccino Especial é feito com gelato artesanal. E o Affogato é o termo italiano para "Afogado', esta é uma sobremesa feita com gelato de nata mergulhado (ou afogado) em café. Pode ser acrescida de biscoitos ou cobertura.
A rede de alimentação saudável Megamatte celebra a data oferecendo uma carta de cafés diversificada em suas unidades. Cultivado por pequenos produtores no Cerrado Mineiro, famosa região cafeeira do Brasil, o Megacafé com blend 100% arábico passa por processos especiais, desde o plantio até o cultivo e a colheita, que interferem na qualidade e toques sensoriais. Entre as opções dos Megacafés, destacam-se bebidas quentes, geladas e sobremesas: espresso tradicional, chocolate quente com café e chantilly, cappuccino de Paçoca 200ml,cappuccino gelado com nutella, frappê Ovomaltine e mocaccino.
Intensidade e toque picante
Já no Sobrado da Cidade, no Centro do Rio, a aposta para o Dia Nacional do Café é uma sobremesa autoral cheia de personalidade. Entre os destaques do menu está o 'Mata-dores de Perry Davis', um brigadeiro de café com pimenta, que une intensidade, doçura e um toque picante em uma combinação surpreendente. A criação traduz a proposta do casarão histórico: valorizar ingredientes marcantes da cultura brasileira por meio de releituras contemporâneas, criativas e afetivas.
"Quisemos criar uma sobremesa que trouxesse a intensidade do café, mas também surpreendesse o paladar. A pimenta entra para quebrar o óbvio e transformar o brigadeiro em uma experiência sensorial, equilibrando doçura, calor e personalidade. O café tem memória afetiva para muitos brasileiros e trabalhar esse ingrediente de forma criativa é também uma maneira de homenagear a nossa cultura", destaca a chef Alice Isha.
Valorização de produtos locais
A Coffee++ escolheu em 2026 o Rio de Janeiro para apresentar ao mercado um novo café produzido por pequenos agricultores da Serra Fluminense, reforçando a identidade do café fluminense no cenário nacional. O lançamento faz parte da estratégia da empresa de aproximar o consumidor urbano da origem do produto, valorizando produtores locais e ampliando a presença de cafés especiais brasileiros no mercado. Atualmente, a Coffee++ já está presente em mais de mil pontos de venda distribuídos em 17 estados do país.
Para Leonardo Montesanto, CEO da marca, o projeto foi pensado em cada detalhe, desde a escolha dos produtores até a experiência final do consumidor. "Fizemos tudo o que há de melhor, desde a seleção dos produtores e dos cafés até a definição dos atributos sensoriais e da embalagem", afirma.
A expectativa da empresa é que o público carioca receba o lançamento com entusiasmo, especialmente pela valorização de um produto que nasce no próprio estado. Segundo o executivo, o objetivo é mostrar que o Rio também produz cafés especiais de alta qualidade.
Além de ampliar a presença do café fluminense no mercado, a iniciativa também busca incentivar a produção agrícola local. "Queremos transmitir ao consumidor que vale a pena valorizar quem está na origem do café", destaca Leonardo.
Outro ponto central do projeto é fortalecer a conexão entre quem produz e quem consome. "O principal objetivo da Coffee++ é fazer uma conexão entre o consumidor urbano e o que há de melhor no nosso Brasil, com um custo democrático para o nível de café que está dentro desses pacotinhos", afirma.
A aposta da empresa também tem como missão gerar valor para toda a cadeia produtiva. "Nosso papel é gerar valor para toda a cafeicultura", resume o executivo.
Para a Coffee++, o lançamento representa um passo importante para colocar o estado do Rio no mapa dos cafés especiais do país. "O Rio também tem grandes cafés especiais, e queremos mostrar que o primeiro grande café do Brasil é um luxo ao qual todos devem ter acesso", conclui.
Trabalho minucioso
Marca criada em 2005, Orfeu Cafés Especiais carrega com louvor a colocação de café brasileiro mais premiado no mundo. Tal excelência é fruto de um trabalho minucioso que acontece desde a seleção das sementes até chegar à xícara de seus apreciadores. O plantio do café tem como origem diferentes terroirs e é cultivado majoritariamente no alto das montanhas do sul de Minas Gerais, na icônica fazenda Sertãozinho, que faz parte do complexo de Orfeu, sendo a maior detentora das lavouras, além de guardiã de um jequitibá de 1.500 anos. Orfeu acaba de lançar o Microlote Premiado 2026.
Já a marca de cafeteria Café com Fé nasceu junto a Momo em 2014 e divide o espaço da gelateria, nas unidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os cafés servidos têm opções variadas, dos coados ao cappuccino, com grãos de cafés especiais e sempre um blend exclusivo. O cardápio complementa a experiência de quem deseja um momento de descompressão na rotina.
Alguma curiosidades
- Quando consumido com moderação, o café pode ser um importante aliado para aumentar os níveis de concentração;
- O café é a segunda bebida mais consumida no mundo (em primeiro lugar está a água);
- A cafeína (nas doses certas) ajuda a evitar a depressão e o mau humor;
- A borra de café pode ser usada como adubo para plantas;
- Acredita-se que o café surgiu por volta do século IX, na Etiópia.
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