Integração do Bilhete Único Carioca (BUC) passa a ser feito exclusivamente pelo cartão Jaé preto ou QR Code Érica martin/Agência O Dia
Defensoria Pública cobra à SMTR explicações sobre fim do pagamento em dinheiro nos ônibus do Rio
Órgão alerta para o risco de exclusão de passageiros em situação de vulnerabilidade social
Após o anúncio da extinção do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) encaminhou um ofício à Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) exigindo explicações sobre o tema e alertou para o risco de exclusão de passageiros em situação de vulnerabilidade social.
O documento, enviado nesta quinta-feira (14) por meio do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), estabelece um prazo de 48 horas para que a prefeitura detalhe como pretende amparar idosos, moradores de áreas periféricas e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A defensoria cobra ainda o mapeamento detalhado dos pontos de recarga, exigindo que eles existam em um raio de caminhada de, no máximo, 500 metros de qualquer ponto de ônibus, inclusive em favelas e áreas periféricas.
“A decisão da Secretaria Municipal de Transportes afeta um número significativo de pessoas com dificuldades no acesso a tecnologias, o que pode resultar em prejuízo do direito de ir e vir do cidadão, particularmente aquele que mais necessita da tutela do Estado”, afirmou a defensora pública coordenadora do Nudecon, Luciana Telles da Cunha.
Para a DPRJ, embora a prefeitura busque transparência e agilidade no embarque, essas melhorias não podem ignorar a realidade social de quem depende exclusivamente do dinheiro em espécie para circular pela capital.
“Também nos preocupam os turistas e até quem acaba de ser roubado e precisa do transporte de forma emergencial usando o dinheiro que restou. No momento, não vemos um plano de contingência para que essa medida seja adotada agora, especialmente diante da escassez de postos físicos para a aquisição do Jaé ou Riocard em toda a cidade”, completou a defensora pública subcoordenadora do Nudecon, Tathiane Campos Soares.
Procurada pelo DIA, a SMTR disse apenas que recebeu o ofício e irá respondê-lo.
Entenda
A partir do dia 30 de maio, os ônibus municipais do Rio de Janeiro não vão aceitar mais pagamento em dinheiro. Com a mudança, o acesso aos modais será feito exclusivamente pelo Jaé ou pelo Riocard, neste último caso apenas para usuários do Bilhete Único Intermunicipal (BUI). Também nesta data, a integração do Bilhete Único Carioca será feita exclusivamente pelo cartão Jaé preto. O cartão avulso do Jaé (verde) deixará de ser aceito nas integrações tarifárias do Bilhete Único Carioca (BUC) e do Bilhete Único Margaridas (BUM).
Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), a alteração acontece como parte da modernização do transporte público municipal. "A medida busca ampliar o controle e a transparência da arrecadação tarifária, reduzir o tempo de embarque, eliminar o manuseio de dinheiro pelos motoristas e aumentar a segurança nos veículos", disse a pasta.
A recarga de créditos em dinheiro seguirá disponível nas máquinas de autoatendimento (ATMs) do Jaé, em cerca de 2 mil pontos de recarga espalhados pela cidade (veja os pontos credenciados aqui) e nas bilheterias dos terminais do BRT. Pelo aplicativo é possível recarregar o saldo por pix ou crédito, com liberação imediata para uso.

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