Imagens que circulam nas redes sociais mostram episódios de agressão a crianças em uma creche em São GonçaloReprodução de vídeo

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) investigam uma série de denúncias de maus-tratos contra crianças em uma creche particular localizada no bairro Pacheco, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. De acordo com relatos de pais e responsáveis, alunos de uma turma com crianças entre 2 e 4 anos eram submetidos a variados tipos de agressões.

Vídeos que circulam nas redes sociais desde a semana passada mostram duas mulheres, que seriam funcionárias da creche, agredindo crianças. Nas imagens, os alunos são ameaçados, puxados pelos cabelos e até mesmo sufocados com um travesseiro no rosto. De acordo com familiares, algumas das vítimas seriam autistas não verbais.

Uma mãe relatou que o filho de apenas 2 anos, que frequentava a creche desde bebezinho, frequentemente apresentava sinais de agressão. Na época, porém, ela acreditava que eram coisas decorrentes da adaptação escolar.

“Ele chorava muito, ficava doente, aparecia com marcas no corpo. Teve uma vez que apareceu com uma mordida no rosto e me disseram que ele tinha caído na piscina de bolinhas. Depois, começou a chegar em casa dizendo: ‘A titia machucou, a titia bateu’. Como ele tem dois anos, eu não levava a sério porque ele não conseguia explicar direito”, disse.

Ela ainda afirmou ainda que, após a divulgação dos vídeos, passou a acreditar que o filho também pode ter sido vítima das agressões. “Depois dessas imagens, eu não gosto nem de pensar no que meu filho passou lá dentro”, desabafou.
Outra mãe afirmou que o filho dela é a criança que aparece em um dos vídeos de cabeça baixa, sendo ameaçada por uma das funcionárias. Ela disse ainda que já havia procurado a direção da creche para reclamar que o menino voltava para casa com arranhões nas costas.

De acordo com outros relatos, as mães já reclamavam anteriormente com a direção da creche sobre hematomas e marcas nos corpos das crianças. Segundo alguns pais, duas funcionárias que aparecem nas imagens não voltaram mais à unidade desde que o vídeo começou a circular nas redes.

Segundo informações repassadas por algumas das mães, a creche está fechada por tempo indeterminado.

O jornal O DIA tentou contato com a responsável pela creche, mas não obteve retorno até o encerramento desta reportagem. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

A Polícia Civil se limitou a informar que caso foi registrado na 74ª DP (Alcântara) e que analisa imagens de câmeras de segurança para esclarecer os fatos.
* Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Flávio Almeida