Rio - Devotos da Santa Rita de Cássia se reuniram, nesta sexta-feira (22), para celebrar o dia em homenagem à padroeira do Centro do Rio de Janeiro. Milhares de fiéis participaram das missas de hora em hora, das 6h às 18h, seguidas do Te Deum - hino de louvor cantado em ocasiões solenes - e a tradicional benção de rosas no Largo de Santa Rita.
Ainda pela manhã, o arcebispo do Rio de Janeiro, Orani João Tempesta, celebrou uma das missas em homenagem à Santa das Causas Impossíveis. O cardeal relembrou a história de vida da santa para ressaltar seus ensinamentos aos religiosos.
"Celebramos com alegria essa festa de Santa Rita de Cássia, pedindo a sua intercessão para todas as nossas causas, tem bastante causas impossíveis para serem resolvidas. Que ela interceda por todos nós e por todas as causas, tem bastante serviço para ela... Santa Rita, em meio a tantas questões, nos ensina a ter confiança no Senhor vendo as coisas bonitas e belas da caminhada, mas também as dificuldades da vida", disse.
Devota há mais de 30 anos, Leila Moraes comentou a relação com a santa. "Eu batizei minha filha, hoje com 27 anos, aqui. Antes era a Matriz de Santa Rita, hoje é um Santuário. Minha irmã se crismou aqui no ano passado. Só temos que agradecer a ela por toda a intercessão, pela saúde da minha família, pelo meu trabalho e por tudo o que a gente pede e ela intercede por nós", contou.
Leila ainda relembrou o início da devoção e as bênçãos recebidas. "Eu trabalho em um salão aqui e conheci Santa Rita em um dia de muita tristeza. Foi ali que fui criando minha devoção por ela. Minha filha mora em Vassouras e, quando ela passou no Prouni, era tanta documentação que eu vim aqui, me ajoelhei, pedi, conversei com o padre Marcelo, e todas as portas foram abertas. Minha filha se forma em Medicina em maio do ano que vem. Só tenho a agradecer", frisou.
Outro devoto, o militar Paulo Henrique Santos da Cruz, 56 anos, também revelou a importância da padroeira em sua vida.
"Eu trabalho aqui perto, então não tem como deixar de passar para pedir as bênçãos e graças a Santa Rita, por quem já fui muito abençoado. É uma santa de muita devoção. A importância dela na minha vida é tudo. Como ela é a santa das causas impossíveis, não tem como deixar de pedir sua intercessão, ainda mais no mundo em que vivemos hoje, nessa correria. Ter uma santa de devoção nos dá paz, harmonia e luz para viver cada dia", afirmou.
Paulo ainda falou sobre as graças recebidas. "Eu estava com um parente meio que desenganado e pedia sua intercessão. Graças a Deus, ele foi curado", acrescentou.
A publicitária Tatiana Teixeira de Carvalho, 45 anos, mantém uma forte devoção desde 2022. "Minha mãe tinha feito uma promessa por algo que eu queria muito, mas eu ainda não era devota. No dia de Santa Rita, tive um sonho muito marcante, porque Deus fala comigo através dos sonhos. Normalmente, costumo anotar as coisas que Deus faz na minha vida. Depois, conversando com a minha mãe, percebi que aquilo que eu tanto queria se concretizou exatamente no dia 22. Desde então, venho aqui e tem sido uma experiência muito gratificante", contou.
Tatiana explicou o que o sonho representava. "Vivi um momento difícil com o meu esposo. Foi um período de restauração, e os sonhos mostravam justamente isso. De fato, Santa Rita intercedeu pela minha causa. Sou muito grata", afirmou.
A empreendedora e estudante Sarita de Cássia Coelho, de 37 anos, herdou a fé da mãe.
"Minha mãe trabalhava aqui perto e se aposentou há 10 anos, mas a gente mantém o costume de vir à missa todo ano. Eu considero Santa Rita uma padroeira particular. Eu a considero uma grande protetora da minha vida, da minha caminhada e da minha fé. Sou uma pessoa que está constantemente estudando para concursos, e são muitos momentos de cair e levantar. Então, considero ela uma grande amiga no céu. Inclusive, quando vejo que não consigo resolver sozinha, quando parece algo impossível, eu peço: ‘Senhor, Maria, Santa Rita, intercedam por mim’”, finalizou.
Vida de Santa Rita
Santa Rita nasceu em 1381, em Roccaporena, na Itália, em uma família humilde e religiosa. Apesar do desejo de seguir a vida religiosa, foi obrigada a se casar ainda jovem com Paulo Ferdinando Mancini, com quem teve dois filhos. Após a morte do marido e dos filhos, dedicou-se inteiramente à oração e às obras de caridade.
Ela ingressou no Convento Agostiniano de Cássia, onde viveu de forma exemplar, marcada pela fé, penitência e devoção. Durante a vida religiosa, recebeu um estigma na testa, símbolo de sua união com o sofrimento de Cristo.
Santa Rita morreu em 22 de maio de 1447. Beatificada e posteriormente canonizada, tornou-se conhecida como a santa das causas impossíveis e segue como exemplo de fé, perseverança e amor ao próximo.
História e devoção
A devoção a Santa Rita de Cássia chegou ao Rio em 1710, trazida pelos portugueses Manuel Nascentes Pinto e Dona Antônia Maria, que construíram uma pequena capela em sua chácara. Com o aumento dos fiéis, decidiram erguer uma igreja no terreno para doá-la a uma irmandade dedicada à santa.
O templo, de estilo barroco jesuítico, foi enriquecido ao longo do século XVIII com altares, retábulos, obras de arte e uma pia batismal de mármore. Elevada à condição de Igreja Matriz em 1751, a Paróquia de Santa Rita guarda relíquias de Santa Rita de Cássia e do Santo Lenho. No século XIX, recebeu painéis a óleo retratando passagens da vida da santa.
Localizado no Centro do Rio, o Santuário Arquidiocesano de Santa Rita tornou-se um importante espaço de evangelização, oração e celebrações religiosas. Reconhecido como a igreja mais antiga dedicada a Santa Rita fora da Itália, mantém viva há mais de 300 anos a devoção à santa, atraindo peregrinos de diversas regiões do país.
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